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A mostrar mensagens de 2026

Indignação, revolta e conformismo (por José Manuel Azevedo)

Indignação, revolta e conformismo 1.       Na minha vida de desportista federado de uma modalidade de pavilhão, daquelas supostamente apelidadas hoje de “amadoras” (o voleibol), mesmo aí sucediam situações indignas para quem, como eu, preza os valores da civilidade e boa educação. Apesar de não serem permitidos contactos, para o que contribui a existência de uma rede a separar as duas equipas em contenda, havia sempre alguém que ofendia o adversário, tanto por palavras, como (mais raramente) por actos – pequenos pontapés dados nas canelas de quem se encontrava na frente da rede, sem consequências para a integridade física, atendendo ao calçado que nessa altura se usava. Já quanto à arbitragem, aí, as ditas situações indignas verificavam-se com frequência, em especial quando não se concordava, com razão, com uma decisão tomada em nosso desfavor. Não é com orgulho que confesso que eu próprio fui penalizado com um cartão amarelo (uma única vez, em doze anos de ca...

Na Luz, entre o Céu e o Inferno!

Na Luz, entre o Céu e o Inferno! Depois de um agradável passeio até aos Açores onde vencemos com mérito por 2-1 após uma excelente 1ª parte e onde, com mestria, soubemos ultrapassar o frango de Trubin logo no início da 2ª parte, coube-nos enfrentar um Real Madrid bem diferente do que vimos recentemente na Luz. Arbeloa aprendeu a lição, posicionou jogadores de forma diferente e venceu com todo o mérito, mercê da genialidade de um jogador (Vinícius Jr) que além de ter marcado um golo fantástico, arranjou um rebuliço tal que acabou literalmente com o jogo, como muito bem disse Mourinho no final. Sintetizando o jogo, o Benfica entrou melhor, o Real recompôs-se pelos 20m e dominou até final da 1ª parte onde poderia ter saído a vencer. Para 1 ou 2 oportunidades do Benfica, este Real de Mbappé e Vinícius Jr, com diversos aios de craveira mundial, teve umas 3 ou 4, quiçá mais flagrantes. Resultado lisonjeiro ao intervalo, expectativa em aberto para a 2ª parte. Mal sabíamos que esta 2ª pa...

Em que é que o Benfica necessita de pensar e acreditar? (por Nuno Paiva Brandão)

EM QUE É QUE O BENFICA NECESSITA DE PENSAR E ACREDITAR? No emotivo e volátil mundo do futebol, um dos "axiomas" diariamente apregoados pelos regimentos de comentadores das televisões, é este: " o futebol é o momento". Neste universo do “aqui e agora” futebolístico, existe uma hostilidade à elaboração de reflexões de fundo, um desdém por perspetivas que não se adequem ao menu dos pequenos escândalos do dia. No dia anterior ao histórico Benfica-Real Madrid, um desses críticos afirmava: "Se o Benfica perdesse Mourinho talvez até se livrasse de um problema na próxima época". Além da habitual tentativa de disrupção benfiquista, tão propícia a gerar audiências, este autogolo analítico manifesta a contemporânea propensão para a sobranceria em relação ao saber e à experiência, o desapreço pelos conhecimentos de especialistas versados  (as  chamadas "elites"). Assim, estes observadores, sem o peso da responsabilidade de uma vida ativa no futebol, podem fa...

Temos que acreditar!

Temos que acreditar! Friamente, a semana nem correu nada mal… vencemos o Alverca e no Porto, entre os 2 primeiros, registou-se um empate do qual, salvo melhor opinião, poderemos acreditar que seremos nós os maiores beneficiários. Refiro poderemos, apenas porque as pechas de finalização que mais uma vez demonstrámos a jogar contra um Alverca que até sabe jogar a bola terão sempre de nos deixar inquietos e ansiosos, a submeter os nossos corações a autênticas provas de resistência (qual eletrocardiograma de esforço), tantas e tamanhas as oportunidades desperdiçadas. Mas o fim-de-semana até acabou muito bem, com esse empate milagroso conseguido pelo Sporting, mais uma vez ao cair do pano, num jogo feio e demonstrativo do pragmatismo pelo resultado que norteou ambos os treinadores. Sendo este um espaço de opinião benfiquista, não entro em grandes comentários sobre um jogo alheio, mas em que não posso deixar de constatar os diversos “fait divers” que apimentaram o jogo (i) ar condicion...

A era da competição híbrida (por Nuno Paiva Brandão)

A ERA DA COMPETIÇÃO HÍBRIDA No futebol nacional, tem-se assistido com uma frequência inaudita a situações em que o resultado do desempenho dos jogadores, é ultrapassado por outros protagonistas, constatação que resulta de verificar que, de forma consistente, os desfechos em campo não são apenas consequência do “hard power” das equipas, mas parecem derivar também do “soft power” dos clubes, da capacidade de influência exercida nas instituições e nos seus protagonistas. Sob este efeito, as competições nacionais podem mudar de rumo, modificando-se também em cascata a pressão mediática sobre as equipas e alterando-se os sentimentos dos adeptos em relação a jogadores, treinadores e dirigentes. Neste século, a "financeirização" do futebol reconfigurou as suas fontes de soberania. Entre 2001 e 2025, o PIB português triplicou, enquanto que, em contrapartida, o Orçamento da FPF se multiplicou por 7. A expressão financeira do êxito do futebol, permitiu acomodar um escol burocrático de ...

Hino ao futebol, ao desportivismo e à amizade (por José Manuel Azevedo)

  Hino ao futebol, ao desportivismo e à amizade 1. Muito já se escreveu, tanto na comunicação social como neste blog benfiquista (de um amigo de há décadas), sobre a épica vitória de Quarta-feira sobre o todo poderoso Real Madrid, detentor de 15 títulos de campeão europeu, o primeiro dos quais na longínqua época de 1955/1956, em que a competição se designava por Taça dos Campeões Europeus. Modelo simples era então adoptado: sorteio entre 16 equipas – apenas as vencedoras dos respectivos campeonatos nacionais – com eliminatórias a duas mãos, com excepção da final, disputada em campo neutro, no caso no Parc des Princes, em Paris. Muita coisa mudou nestes 70 anos - como sabemos, a competição passou a ser disputada por bastante maior número de equipas, não só as campeãs de cada país representado (Inglaterra, Espanha, Alemanha e Itália apuram 4 equipas com entrada directa, para dar um exemplo) isto por uma variedade de motivos, alguns puramente desportivos, mas de que os mais relevantes...

Montanha russa de emoções…

Montanha russa de emoções… (Nota: Crónica escrita a 2 tempos) Antes do Real Madrid, bem que precisávamos de tranquilidade. O calendário ditava na Luz um Estrela da Amadora que, na primeira volta jogada na Reboleira, tinha apresentado inesperadas dificuldades. A vitória tinha sido a ferros e essa lembrança ficou. Mas naquele domingo a equipa que apresentou pela frente era outra, bem diferente, a começar por um  Sidny  que trocou de camisola e foi determinante na vitória por 4-0. Mourinho, antecipando fragilidades que o Estrela tinha demonstrado contra o Estoril na semana anterior (0-5) e pensando no jogo contra um Real Madrid na Champions onde nem a nossa vitória pode chegar para o apuramento, decidiu dar descanso a prováveis titulares e oportunidades a jovens formados no Seixal. Um a titular ( Benjaqui ) poupando  Dedic , outros no banco (Prioste,  Anisio  e o guarda-redes  Voitinovicius ) a entrar se o jogo se proporcionasse, como realmente se proporcionou...

Nenhuma dúvida: foi mesmo épico!

  Nenhuma dúvida: foi mesmo épico! Todos o dizem em uníssono, esta noite de Champions contra o Real Madrid (RM) foi, literalmente, épica! Repetir isto mil vezes não chega para reproduzir a sensação que todos nós, benfiquistas, sentimos ao sair do Estádio da Luz ainda sob o efeito Trubin, esse tal grandão (Mou dixit) que ontem marcou um golo que seguramente um dia irá contar aos netos e pelo qual, tenho a certeza, toda a vida será do Benfica. Durantes as largas semanas que antecederam este jogo, talvez desde a jornada 4 da Champions quando tínhamos 4 derrotas, fui dos poucos que acreditei na possibilidade do apuramento para o play-off, conforme os meus amigos e conhecidos o podem testemunhar. Suportado na fé benfiquista, alicerçado na convicção da melhoria evidente da qualidade do jogo do conjunto, sob a mão de Mou. Confesso, no entanto, que esta semana desanimei, quando soube a quantidade de coincidências que se tinham de reunir para chegarmos ao apuramento – desejando ardentem...

Desilusão, sem grandes ilusões...

Desilusão, sem grandes ilusões… 1. Horas antes, num almoço com o meu neto mais velho, este perguntava-me qual o resultado que eu esperava em Turim. Sorri, antes de lhe dizer que esperava tudo, até uma vitória do Benfica – ou seja, vaticinava uma tripla no Totobola. A equipa que Mou apresentou foi quase a que eu esperava em que arriscaria Ivanovic no lugar de Pavlidis, não só para dar descanso a este, mas para dar profundidade ao ataque que tinha de fazer transições rápidas perante um defesa italiana, bem treinada agora por Spalletti. Se, a nível interno esta equipa com demasiados titulares lesionados (Lukebakio, Rios, Bah) e outros em recuperação (Barrenechea, Manu, Bruma) pode chegar para a maioria dos jogos, a nível internacional a coisa muda de figura e daí os meus receios, mesmo assim acreditando, por pura fé benfiquista, que até poderíamos ganhar. Jogou-se o jogo, sobrou arreganho e pertinácia, mas falemos claro - faltou a classe que os jogos das Champions exigem. O penalti ...

Os novos espelhos de feira (por Nuno Paiva Brandão)

Os novos espelhos de feira Os canais de subscrição de índole generalista, têm atribuído um número insólito de horas ao futebol. Programas diários longos como “Mercado”, “Liga d'Ouro”, “Record na Hora”, “Mercado Aberto”, “Mais Transferências” e “Em Jogo”, absorvem horas a fio de transmissão televisiva. Têm um foco muito particular numa classificação. Mas não é a que reclamam comentar, a Liga Portuguesa, mas sim uma outra classificação oculta, o ranking das quotas de audiência. Assim, num intervalo estreito de percentagem de audiência, encontram-se a líder CMTV, a Sic Noticias, a CNN Portugal e o Now, acotovelando-se entre eles, numa luta de todos contra todos, em situação de tendencial equilíbrio. Num mercado tão competitivo, o tema do futebol, com a sua vastíssima audiência - um Moreirense-Benfica tem uma audiência 3,6 vezes maior que o debate com todos os candidatos presidenciais - e o seu elevado impacto emocional, é um território de combate apetecível para estas entidades....

Ai, Pavlidis...

  A i, Pavlidis… 1. O Benfica carregava, eu olhava para a televisão, crente que ainda era possível o empate. Pelo minuto 90, levantei-me e de imediato regressei ao sofá, incrédulo com a perdida de Pavlidis, o mesmo que tantas vezes nos tem salvo e que ainda deve estar a pensar como terá sido possível falhar um golo “cantado” daqueles à beira da baliza, sem ninguém na frente, após passe soberbo do proscrito Scheldrup. O futebol tem destes momentos, que mudam tudo quando dão golo e originam euforias ou deixam soçobrados, quando falhados, todos aqueles que vibram pelas cores. As críticas que eram mordazes tornam-se elogiosas ou carregam ainda mais a negritude da ocasião. Fosse golo e era provável haver prolongamento, comigo convicto que o Benfica estava fisicamente bem melhor do que o FC Porto. Não foi e o jogo acaba com uma eliminação injusta a incrementar as críticas fundadas numa época que deixa imenso a desejar (até agora). Os dias que antecederam o jogo no Dragão foram muit...

Sobressaltar o futebol português (por Nuno Paiva Brandão)

SOBRESSALTAR O FUTEBOL PORTUGUÊS  Estranha condição a do futebol português, em que os goleadores Pavlidis, Suarez e Samu, são menos debatidos que árbitros como Tiago Martins (VAR), João Gonçalves, João Pinheiro e Rui Silva (VAR). Os recentes e funestos episódios de arbitragem nos Açores e em Braga, representam apenas uma aceleração de uma tendência pesada. Temos assistido à desconstrução das normas de equidade nas competições de futebol profissional em Portugal.  Em consequência, as desejáveis hierarquias classificativas baseadas no mérito, no talento e no esforço, desintegram-se, sendo substituídas por classificações influenciadas por arbitragens que interferem nos desfechos dos jogos. Ora, a diluição da fronteira entre uma competição justa e uma concorrência enviesada, tem efeitos dramáticos no prestigio de um campeonato e afeta os interesses vitais, desportivos e financeiros, de um clube histórico como o Benfica. Quem assista a jogos da Premier League, verificará qu...

O pior nem foi a eliminação na Taça da Liga...

O pior nem foi a eliminação da Taça da Liga… Realmente, uma deceção! Um jogo com uma 1ª parte abaixo do medíocre, depois de um início até promissor, que terminou com o Braga a ganhar justamente por 2 bolas de diferença. Uma 2ª parte em que “arrebitámos a pestana”, procurámos recuperar, metemos um golo de (mais um) penalti a demonstrar que a concretização também é um problema contra boas equipas e o 1-3 arrumou connosco. Otamendi expulso foi a cereja em cima do bolo. Mou tinha jogado há dias contra Carlos Vicens e na conferência que antecedeu o jogo referiu que o seu adversário era ousado e iria tentar ganhar a eliminatória. Tudo se comprovou e Carlos Vicens demonstrou que estudou bem o Benfica. Mou foi ele mesmo, conservador na constituição da equipa, mantendo-a sem alas de raiz, obrigando um construtor de jogo como Sudakov a jogar fora do lugar e Vicens não perdoou. Meteu Zalazar a jogar pela direita onde estão 2 jogadores lentos a defender e foi um festival. Felizmente que eu nad...

Entre a realidade (Estoril) e o sonho (Benfica District)

  Entre a realidade (Estoril) e o sonho (Benfica District) 1. Comecemos pelas boas notícias, ou seja, uma boa vitória contra um belíssimo Estoril que já tinha feito a vida negra a FC Porto e Sporting e que nos obrigou a suar as estopinhas. Praticamente na jogada inicial Trubin safou um golo certo e escassos minutos depois, novamente com mestria e destemor, safou mais um golo. Em suma, nos primeiros minutos o Estoril disse ao que vinha e logo se percebeu que só com muito suor e inspiração o Benfica ganharia o jogo. A 1a parte foi frouxa, com um daqueles penaltis que irritam quem sofre, porque lá estamos a discutir volumetria e nunca a mão na bola. Seja como for, se vale contra nós, também tem de valer a nosso favor. No final da 1a parte, Pavlidis mete um daqueles golos que vale o bilhete de jogo, mas logo a seguir lá tivemos de oferecer mais um golo, desta vez por displicência de Sudakov. A 2a parte foi o exemplo de um jogo “chato”. Mou bem pôde dizer que o Benfica controlou o jogo,...