Na Luz, entre o Céu e o Inferno!
Depois de um agradável
passeio até aos Açores onde vencemos com mérito por 2-1 após uma excelente 1ª
parte e onde, com mestria, soubemos ultrapassar o frango de Trubin logo no
início da 2ª parte, coube-nos enfrentar um Real Madrid bem diferente do que
vimos recentemente na Luz. Arbeloa aprendeu a lição, posicionou jogadores de
forma diferente e venceu com todo o mérito, mercê da genialidade de um jogador (Vinícius
Jr) que além de ter marcado um golo fantástico, arranjou um rebuliço tal que
acabou literalmente com o jogo, como muito bem disse Mourinho no final.
Sintetizando o
jogo, o Benfica entrou melhor, o Real recompôs-se pelos 20m e dominou até final
da 1ª parte onde poderia ter saído a vencer. Para 1 ou 2 oportunidades do
Benfica, este Real de Mbappé e Vinícius Jr, com diversos aios de craveira
mundial, teve umas 3 ou 4, quiçá mais flagrantes. Resultado lisonjeiro ao
intervalo, expectativa em aberto para a 2ª parte.
Mal sabíamos que
esta 2ª parte teria apenas 5m, momento em que Vinícius Jr assinou um daqueles golos
de bandeira que definem um jogador de eleição, mas em que, de imediato, deixou
vir ao de cima as suas falhas educacionais ao comemorar de forma acintosa, com
a agravante de provocar a massa associativa benfiquista (como muito
bem disse Mourinho) e que lhe valeu um amarelo (aleluia Sr. Árbitro!).
Estas
comemorações irritaram fortemente os benfiquistas, em particular alguns
jogadores de sangue quente como são os argentinos, rivais históricos dos brasileiros.
De imediato, Prestianni, um jovem de sangue na guelra originário do Velez
Sarsfield (Buenos Aires), ter-lhe-á dito algo (puxou a camisola para não se
ver) e Vinícius Jr desatou a correr para o árbitro a acusar Prestianni de
racismo, por palavras proferidas. Mais tarde, Otamendi, com a experiência da
idade, limitou-se a mostrar a Vinícius Jr a tatuagem de campeão do mundo,
arrancando sorrisos ao adversário.
O jogo acabou
ali, com essa acusação de racismo, dado ter sido interrompido de imediato por
10m e, quando depois recomeçou, metendo muitas conversas pelo meio, inclusive de
Mourinho com Vinícius Jr, foi um arrastar de minutos, sem ponta de interesse
dada a fraquíssima qualidade de jogo jogado. O Real Madrid conseguiu os
objetivos de levar vantagem para o Santiago Barnabéo, ao Benfica resta-lhe
vender muito cara a eliminatória, alimentando a réstia de esperança que já nos
trouxe até aqui depois de um início calamitoso com 4 derrotas seguidas. Se
acredito ser possível? Sempre! Como treinador de andebol durante 10 anos e
dirigente uns 25 anos (Pedro Nunes), ganhei jogos inesperados e perdi outros da
forma mais estúpida que se pode imaginar. Vamos lá jogar e, de preferência, com
Prestianni a titular, porque está tudo por provar (pelas imagens não havia ninguém por perto e a boca estava convenientemente tapada).
Uma palavra final
para a arbitragem do francês Letexier. Mourinho foi expulso por dizer o
evidente: os jogadores do Real Madrid foram protegidos pela arbitragem. A
simulação de Carreras que não leva amarelo que o retirava do 2º jogo (Prestianni
levou por alegada simulação idêntica, conforme interpretação do árbitro), a
cotovelada nas costas de Rafa por Rudinger nas barbas do árbitro sem falta quanto mais amarelo, a
contemporização da arbitragem com Tchouameni que fez as faltas que muito bem entendeu
sem ver o amarelo que o impedia de jogar a 2ª mão, a agressão de Valverde a
Dahl que o VAR Brisard não viu, o 2º amarelo poupado a Vinícius Jr por falta
sobre Rios (de onde diretamente resultou a expulsão de Mourinho), são
coincidências a mais. Nenhuma com influência direta no resultado e na justa
vitória do Real que ontem nos foi superior, mas indiretamente com possível
interferência no resultado da eliminatória.
A terminar, este
Benfica anda nas bocas do mundo, há dias pela excelência da vitória sobre o
Real Madrid, ontem pelo jogo disputado e pela interrupção alegadamente
provocada por lamentáveis e vergonhosas acusações de racismo, mesmo que por provar, mas sempre inadmissíveis de acontecer
em qualquer estádio ou em qualquer parte. Ótimas e péssimas razões, mas há que
seguir em frente. Temos treinador conceituado internacionalmente, temos plantel
para fazer um bom resto de época desportiva, acreditando no impossível como realizável.
Manuel Boto
(Sócio nº 2794)