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Mensagens

Indignação, revolta e conformismo (por José Manuel Azevedo)

Indignação, revolta e conformismo 1.       Na minha vida de desportista federado de uma modalidade de pavilhão, daquelas supostamente apelidadas hoje de “amadoras” (o voleibol), mesmo aí sucediam situações indignas para quem, como eu, preza os valores da civilidade e boa educação. Apesar de não serem permitidos contactos, para o que contribui a existência de uma rede a separar as duas equipas em contenda, havia sempre alguém que ofendia o adversário, tanto por palavras, como (mais raramente) por actos – pequenos pontapés dados nas canelas de quem se encontrava na frente da rede, sem consequências para a integridade física, atendendo ao calçado que nessa altura se usava. Já quanto à arbitragem, aí, as ditas situações indignas verificavam-se com frequência, em especial quando não se concordava, com razão, com uma decisão tomada em nosso desfavor. Não é com orgulho que confesso que eu próprio fui penalizado com um cartão amarelo (uma única vez, em doze anos de ca...

Na Luz, entre o Céu e o Inferno!

Na Luz, entre o Céu e o Inferno! Depois de um agradável passeio até aos Açores onde vencemos com mérito por 2-1 após uma excelente 1ª parte e onde, com mestria, soubemos ultrapassar o frango de Trubin logo no início da 2ª parte, coube-nos enfrentar um Real Madrid bem diferente do que vimos recentemente na Luz. Arbeloa aprendeu a lição, posicionou jogadores de forma diferente e venceu com todo o mérito, mercê da genialidade de um jogador (Vinícius Jr) que além de ter marcado um golo fantástico, arranjou um rebuliço tal que acabou literalmente com o jogo, como muito bem disse Mourinho no final. Sintetizando o jogo, o Benfica entrou melhor, o Real recompôs-se pelos 20m e dominou até final da 1ª parte onde poderia ter saído a vencer. Para 1 ou 2 oportunidades do Benfica, este Real de Mbappé e Vinícius Jr, com diversos aios de craveira mundial, teve umas 3 ou 4, quiçá mais flagrantes. Resultado lisonjeiro ao intervalo, expectativa em aberto para a 2ª parte. Mal sabíamos que esta 2ª pa...

Em que é que o Benfica necessita de pensar e acreditar? (por Nuno Paiva Brandão)

EM QUE É QUE O BENFICA NECESSITA DE PENSAR E ACREDITAR? No emotivo e volátil mundo do futebol, um dos "axiomas" diariamente apregoados pelos regimentos de comentadores das televisões, é este: " o futebol é o momento". Neste universo do “aqui e agora” futebolístico, existe uma hostilidade à elaboração de reflexões de fundo, um desdém por perspetivas que não se adequem ao menu dos pequenos escândalos do dia. No dia anterior ao histórico Benfica-Real Madrid, um desses críticos afirmava: "Se o Benfica perdesse Mourinho talvez até se livrasse de um problema na próxima época". Além da habitual tentativa de disrupção benfiquista, tão propícia a gerar audiências, este autogolo analítico manifesta a contemporânea propensão para a sobranceria em relação ao saber e à experiência, o desapreço pelos conhecimentos de especialistas versados  (as  chamadas "elites"). Assim, estes observadores, sem o peso da responsabilidade de uma vida ativa no futebol, podem fa...

Temos que acreditar!

Temos que acreditar! Friamente, a semana nem correu nada mal… vencemos o Alverca e no Porto, entre os 2 primeiros, registou-se um empate do qual, salvo melhor opinião, poderemos acreditar que seremos nós os maiores beneficiários. Refiro poderemos, apenas porque as pechas de finalização que mais uma vez demonstrámos a jogar contra um Alverca que até sabe jogar a bola terão sempre de nos deixar inquietos e ansiosos, a submeter os nossos corações a autênticas provas de resistência (qual eletrocardiograma de esforço), tantas e tamanhas as oportunidades desperdiçadas. Mas o fim-de-semana até acabou muito bem, com esse empate milagroso conseguido pelo Sporting, mais uma vez ao cair do pano, num jogo feio e demonstrativo do pragmatismo pelo resultado que norteou ambos os treinadores. Sendo este um espaço de opinião benfiquista, não entro em grandes comentários sobre um jogo alheio, mas em que não posso deixar de constatar os diversos “fait divers” que apimentaram o jogo (i) ar condicion...

A era da competição híbrida (por Nuno Paiva Brandão)

A ERA DA COMPETIÇÃO HÍBRIDA No futebol nacional, tem-se assistido com uma frequência inaudita a situações em que o resultado do desempenho dos jogadores, é ultrapassado por outros protagonistas, constatação que resulta de verificar que, de forma consistente, os desfechos em campo não são apenas consequência do “hard power” das equipas, mas parecem derivar também do “soft power” dos clubes, da capacidade de influência exercida nas instituições e nos seus protagonistas. Sob este efeito, as competições nacionais podem mudar de rumo, modificando-se também em cascata a pressão mediática sobre as equipas e alterando-se os sentimentos dos adeptos em relação a jogadores, treinadores e dirigentes. Neste século, a "financeirização" do futebol reconfigurou as suas fontes de soberania. Entre 2001 e 2025, o PIB português triplicou, enquanto que, em contrapartida, o Orçamento da FPF se multiplicou por 7. A expressão financeira do êxito do futebol, permitiu acomodar um escol burocrático de ...

Hino ao futebol, ao desportivismo e à amizade (por José Manuel Azevedo)

  Hino ao futebol, ao desportivismo e à amizade 1. Muito já se escreveu, tanto na comunicação social como neste blog benfiquista (de um amigo de há décadas), sobre a épica vitória de Quarta-feira sobre o todo poderoso Real Madrid, detentor de 15 títulos de campeão europeu, o primeiro dos quais na longínqua época de 1955/1956, em que a competição se designava por Taça dos Campeões Europeus. Modelo simples era então adoptado: sorteio entre 16 equipas – apenas as vencedoras dos respectivos campeonatos nacionais – com eliminatórias a duas mãos, com excepção da final, disputada em campo neutro, no caso no Parc des Princes, em Paris. Muita coisa mudou nestes 70 anos - como sabemos, a competição passou a ser disputada por bastante maior número de equipas, não só as campeãs de cada país representado (Inglaterra, Espanha, Alemanha e Itália apuram 4 equipas com entrada directa, para dar um exemplo) isto por uma variedade de motivos, alguns puramente desportivos, mas de que os mais relevantes...

Montanha russa de emoções…

Montanha russa de emoções… (Nota: Crónica escrita a 2 tempos) Antes do Real Madrid, bem que precisávamos de tranquilidade. O calendário ditava na Luz um Estrela da Amadora que, na primeira volta jogada na Reboleira, tinha apresentado inesperadas dificuldades. A vitória tinha sido a ferros e essa lembrança ficou. Mas naquele domingo a equipa que apresentou pela frente era outra, bem diferente, a começar por um  Sidny  que trocou de camisola e foi determinante na vitória por 4-0. Mourinho, antecipando fragilidades que o Estrela tinha demonstrado contra o Estoril na semana anterior (0-5) e pensando no jogo contra um Real Madrid na Champions onde nem a nossa vitória pode chegar para o apuramento, decidiu dar descanso a prováveis titulares e oportunidades a jovens formados no Seixal. Um a titular ( Benjaqui ) poupando  Dedic , outros no banco (Prioste,  Anisio  e o guarda-redes  Voitinovicius ) a entrar se o jogo se proporcionasse, como realmente se proporcionou...