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Não há vitórias morais!

Não há vitórias morais!

Dito isto, que bela joga fizemos em Madrid, como as estatísticas o comprovam! Uma entrada de alta intensidade e excelente qualidade que culminou com o golo de Rafa. Uma resposta imediata do Real a empatar o jogo com uma oferta de Otamendi que Tchouaméni aproveitou para iniciar e concluir com acerto. A equipa ressentiu-se (obviamente) mas não se desorientou e fez um resto de 1ª parte aceitável. A 2ª parte começa com domínio do Real, Benfica recompôs-se e o jogo esteve bem dividido até aos 80m quando Tomás Araújo imita Otamendi e faz um passe disparatado que culmina em mais um golo de categoria de Vinícius, acabando com a eliminatória. Pelo meio, Courtois explicou a qualquer adepto por que razão é um dos melhores jogadores do Mundo.

Com naturalidade, porque no conjunto das duas mãos o mereceu, particularmente melhor na 1ª mão, o Real ganhou esta eliminatória. Com um plantel avaliado algures pelos 1300-1400 milhões de euros, não surpreendeu que tivesse sido superior. Mas a surpresa ficou da sensação de que poderíamos ter feito melhor neste jogo da 2ª mão, com uma equipa claramente em crescendo, muito mais sólida do que há escassos 6 meses atrás, apesar da pecha da incapacidade de concretização que a janela de transferências de janeiro não conseguiu superar. A certeza que fica é que estão construídas as bases para uma melhoria qualitativa consistente do Benfica para o restante desta época (onde o 2º lugar é o mínimo desiderato) e das próximas, assim consigamos manter uma estabilidade na gestão do futebol, incluindo a manutenção da equipe técnica, possibilitando um investir (e desinvestir) com critério na janela de transferências do Verão.

Esta eliminatória teve a estória dentro do campo e outras fora do campo, tão ou mais influentes e que aflorei em artigo anterior com o destaque que julguei relevante e que relembro apenas para memória futura – (i) o lamentável episódio à volta do alegado racismo atribuído a Prestianni, completamente por provar e que afetou psicologicamente não só o jogador mas condicionou toda a equipa, até por declarações proferidas subsequentemente por jogadores do plantel e que têm elevado custo na própria união; acredito que com o Benfica eliminado, o assunto venha a morrer com declarações genéricas de princípios, mas sem quaisquer castigos adicionais por impossibilidade de prova, (ii) a arbitragem da 1ª mão, absolutamente determinante ao permitir que 4 jogadores do  Real – Carreras, Valverde, Vinícius e Tchouaméni – jogassem a 2ª mão. Citei os nomes apenas para se perceber bem o impacto que tiveram no jogo de Madrid: Tchouaméni e Vinícius meteram os golos e Valverde esteve nos 2 golos com assistências da sua autoria.

A terminar, existe algo que surpreendeu todos ou quase todos os benfiquistas: as substituições que Mourinho não fez – ou fez apenas a partir dos 85´. Um banco com diversos jogadores como Lukebakio, Sudakov, Manu, Enzo, Bah, António, além dos meninos Neto e Anísio, parecem garantir soluções válidas como alternativas. Este tema inquieta-me, detesto julgar sem conhecer as razões que presidiram às suas decisões. Como simples adepto, percebo perfeitamente que nunca as venha a saber, mas fosse eu dirigente certamente que as quereria conhecer. O que falha de forma tão gritante quando jogadores reputados, alguns internacionais, não constituem alternativa? Apenas falta de ritmo ou algo mais que nós, adeptos, somos incapazes de descortinar? Os próximos jogos poderão dar-nos a resposta que ansiamos – porque se esta for a necessidade de serem feitas revoluções no plantel uma coisa é certa: custam balúrdios!

PS – falta falar no tema do racismo em geral que tanto condicionou esta eliminatória? Para quê, se, para pessoas com princípios e valores, só poderemos ter uma palavra que reitero: ignóbil!

Manuel Boto (Sócio 2.794)