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Em defesa de Prestianni!

Em defesa de Prestianni!

E pronto! A UEFA decidiu, de forma pressurosa e, certamente por coincidência, de acordo com os interesses do Real Madrid! De forma discricionária, sem direito a contraditório, a UEFA suspendeu preventivamente por 1 jogo Prestianni, com base em coisa nenhuma. Ao invés, a agressão flagrante de Valverde ao Dahl, essa que todos viram, até os mais fanáticos jornalistas espanhóis, passa escandalosamente impune.

Repito o que já antes escrevi: até prova em contrário, Prestianni é inocente! Porque o afirmou, com o direito a ter idêntica credibilidade que o acusador, porque tapando a boca com a camisola tornou impossível a leitura labial. Não me venham com supostas acusações, apenas e só baseadas no facto de ter escondido os lábios. Prestianni, tem, repito, direito ao contraditório, antes de ser condenado. Algo demasiado importante para ser esquecido e que muitos convenientemente ignoram para condenar Prestianni, apenas com base na palavra de um fabuloso (porque o é!) colega de profissão que o acusa de ter proferido um insulto de teor racista. Pelos vistos, foi o suficiente para a UEFA decidir – quiçá com o contributo de Mbappé (jogador do Real Madrid) que corroborou a existência do insulto proferido, apesar de, pela posição em campo que as imagens demonstram, não ser crível que o tivesse ouvido.

Falemos claro: racismo em pleno século XXI é demasiado asqueroso para sequer se discutir ou falar sobre o tema sem o condenar. Se quisermos falar de racismo na Luz, porque infelizmente o houve, falemos das imagens inequívocas que a TV mostra, em que 2 adeptos (1 já era demais), com adereços benfiquistas, imitam símios, na sequência da confusão gerada. Esses adeptos, porque talvez inebriados no ambiente que se gerou, deixaram vir ao de cima lacunas educacionais e de princípios e valores, sempre totalmente inadmissíveis. Depois de identificados, deveria haver uma daquelas penalizações que aleije, sugerindo eu que, no caso de serem adultos, durante 1 ano, não pudessem ver jogos do Benfica, com a obrigação de se apresentarem numa esquadra da PSP (no caso de serem menores, algo certamente se poderá fazer, por forma a aprenderem a lição civilizacional).

Regressemos ao cerne da questão, o alegado insulto racista de Prestianni, um miúdo vindo em janeiro de 2024 da Argentina, com sede de vencer na Europa. Um miúdo que em 2 anos, demonstrou ser “reguila”, ter “pêlo na venta”, mas que jamais teve qualquer atitude racista dentro do balneário do Benfica, onde a existência de diversas raças é orgulho! Ou o racismo é seletivo, visando apenas e só Vinícius, mas ignorando todos os outros jogadores de idêntica raça, colegas ou adversários? Que eu saiba, culturalmente definido, o racismo é uma atitude que decorre de preconceitos (inadmissíveis, repito sempre) baseados em falsas crenças de superioridade racial/étnica com base em características físicas.

Alguém no seu perfeito juízo, acredita no racismo de Prestianni que veio ao de cima, num acalorado momento com Vinicius? Ou tudo não passou de trocas verbais de mimos, useiros e vezeiros entre jogadores dentro das 4 linhas e que, em 99% dos casos, terminam em saudações ou abraços quando o jogo acaba, ao estilo “aquilo que se passa no campo, fica no campo”? Lá está, este caso constitui o 1% que existirá sempre, desta vez com contornos a marcar indelevelmente a carreira de Prestianni, que ficará sempre conotado com este “charivari”.

Enquadrando este tema, porque temos de ir ao cerne da questão, recuemos à humilhação dos 4-2 na Luz. Porque o foi, porque doeu no orgulho madrileño, porque criou receios na estrutura madridista para esta eliminatória. Profissionais da comunicação, nada por coincidência, dias antes deste primeiro jogo na Luz, juraram fidelidade à UEFA ao anunciarem o abandono da participação na Superliga europeia. Curiosamente, na sequência e aqui só pode ser por coincidência, foi nomeado um árbitro que teve atuação desastrada, claramente prejudicial ao Benfica - 2 expulsões perdoadas, 2 amarelos que ficaram no bolso a jogadores que não jogariam no Barnabéo a segunda mão. Factos!

O episódio de racismo, foi para o Real Madrid a “cereja no bolo”. Acabou o jogo aos 50’, leva 1 golo de vantagem para Madrid, refletindo uma vitória justíssima da melhor equipa no campo. O resto todos conhecem. Os protagonistas, os “track records” de cada um - Vinicius com 8 anos de Madrid e umas 20 acusações de racismo a terceiros e Prestianni, menino em início de carreira, a pagar com “língua de palmo” uma resposta a insultos rascas, bem visíveis na linguagem labial de Vinicius, seja ela qual for que tenha sido (alega “maricon”, expressão que na Argentina é conotada com “queixinhas” e atualmente enferma acusações de homofobia). 

Hoje, em geral, falta muito bom-senso. O Real Madrid fez um filme com isto, meteu Mbappé a corroborar ter ouvido a acusação, única hipótese de Prestianni poder ser penalizado, porque objetivamente ninguém leu os seus lábios ao proferir a resposta - tal como Vinicius tapou a boca ao responder a Otamendi (coisa que muitos esquecem ao condenar Prestianni por ter metido a camisola na frente). Se Otamendi se tem lembrado de interromper o jogo acusando Vinicius de insultos racistas, teria a UEFA idêntico padrão? Pessoalmente não acredito.

Haja um mínimo de bom-senso! Reconheça-se que o desporto altamente profissionalizado carece de serem revistas as normas de condutas dos intervenientes, quantas vezes implicados em insultos soezes, apenas e só com o intuito de instabilizar adversários. Se formos por aqui, tudo bem, até porque sendo o futebol um desporto tão belo, com milhões de seguidores, com idolatrias populares a craques muitas vezes de “pés de barro”, acho que a esmagadora maioria estará de acordo.

Agora, se continuarmos a fazer filmes onde existem apenas más-criações, como sucedeu a Vinicius e Prestianni, estreitamos pontos onde se deveria cavar um fosso entre o futebol espetáculo e os teatrinhos de feira – estes de muito mau gosto. Com o beneplácito da UEFA, supostamente uma entidade reguladora e imparcial, a abrir um precedente muitíssimo perigoso, onde o feitiço, tarde ou cedo, certamente se irá virar contra o feiticeiro.

PS – Huijsen, jogador do Real Madrid fez recentemente uma publicação considerada de teor racista para com asiáticos. Apresentou desculpas, até ao momento que escrevo estas linhas não surgem notícias que tenha sido castigado pela UEFA.

Manuel Boto (Sócio nº 2794)