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Mantemos a esperança!

Mantemos a esperança!

1. Num dos mais difíceis jogos da época, o Benfica conseguiu vencer um bravo Gil Vicente, depois de muito sofrimento e suor, misturados com alguma inspiração, nomeadamente de Schjelderup – um jogador que mistura o sangue (gelado) nórdico com a paixão latina de jogar futebol. Se na Luz a nossa vitória foi imerecida porque o Gil Vicente jogou bem melhor durante a maior parte do tempo, desta vez a consumação da vitória pecou por tardia, fazendo sofrer e muito os adeptos que assistiram ao jogo.

Mais uma vez tivemos algumas oportunidades não concretizadas, o que só por si enerva qualquer adepto benfiquista, já para não falar do treinador Mourinho que não recusou encómios a Pavlidis pela abnegação demonstrada durante todo o jogo, apesar da pecha de não conseguir tantas vezes concretizar o que parece fácil a quem está, como eu, no sofá. Rafa parece seguir-lhe as pisadas, mas a nossa esperança é que “tantas vezes a cantarinha vai à fonte que se acaba por partir” e esperemos que seja com o FC Porto já no dia 8.

Esta vitória foi particularmente importante, sobretudo porque nos mantém agarrados à calculadora e a imaginar diversos resultados que, concretizarem-se, nos garantam o campeonato. A seguir a um jogo altamente exigente de Champions, jogado num Barnabéo altamente hostil pelas desgraçadas razões que todos conhecem, manter viva a esperança dos benfiquistas era vital – e conseguimos! Por exemplo, o Real Madrid perdeu em casa com o Getafe e sinceramente acredito que pagou com “língua de palmo” a intensidade, física e psicológica, do jogo que fez connosco.

Uma palavra para Prestianni – Mourinho levou-o e muito bem a jogo e, sob uma pressão psicológica terrível, pareceu um veterano capaz de enfrentar estes desafios que o destino lhe meteu na frente. Não fez tudo bem – longe disso – mas cumpriu, lutando denodadamente a contribuir para a nossa vitória, merecendo amplamente a ovação que os generosos adeptos benfiquistas lhe tributaram quando foi substituído – que certamente lhe fizeram sentir que “é um dos nossos!”

2. Tenho de escrever umas linhas sobre a conferência de imprensa de Mourinho que precedeu o jogo com o Gil Vicente, porque foi imensamente rica no conteúdo das ideias proferidas. Saliento, em particular, a necessidade que sentiu de se defender do absurdo de algumas críticas que recebeu na sequência da conferência de imprensa após o jogo de Lisboa contra o Real Madrid. Esclareceu definitivamente alguns desses críticos levianos ao reafirmar de forma inequívoca a sua repulsa pelo fenómeno de “racismo”, assumindo que qualquer jogador seria obviamente punido no Benfica se indiciasse qualquer atitude que o confirmasse – incluindo Prestianni (e muito bem, mas sabendo Mourinho perfeitamente que este jamais exteriorizou qualquer sinal no balneário ao longo dos 2 anos que se encontra no Benfica). Muito bem ao defender a “presunção de inocência” do jogador e assegurar que antes de o punir há muitos “se’s”…

Talvez tão importante como essa afirmação de princípios e valores na vida, foi a manifestação de disponibilidade para renovar, sem delongas ou negociações – o Benfica mete o papel na frente e ele assina. Acho que o Benfica nem precisa de uma mensagem mais clara do que esta – e Rui Costa, a esta hora já deveria ter renovado. O Benfica tem definitivamente de ter um projeto e a aposta em Mourinho configura a certeza da existência de um que acredito profundamente que seja sustentado.

O tema da classificação virtual ou real que Mourinho aduziu manifestando legítima indignação é uma consequência do sentimento de revolta que existe no universo benfiquista, obviamente que também no balneário. Há a realidade da distorção das arbitragens por erros grosseiros com benefício de alguns – e necessariamente prejudicando os outros (onde o Benfica tem razões para consistentemente se considerar vítima) e há a realidade das sistemáticas provocações ao Benfica com a designação de equipas de arbitragem que, no passado, enviesaram o resultado de jogos em que participámos. Estes são factos absolutamente irrefutáveis e Mourinho, que sente a injustiça dessa nefasta influência, fez muito bem em defender o Benfica gritando que “o Rei vai nu”.

Apontamentos

O Benfica anunciou um lucro neste 1º semestre da época 2025/26 de 40,6 M euros, mas, pessoalmente, gostaria imenso de saber qual a projeção de resultados até ao final do ano. Este 2º semestre terá parcas receitas e os custos seguramente que serão muito parecidos com os do 1º semestre. Um tema a que regressarei mais tarde.

Manuel Boto (Sócio nº 2.794)