Este Benfica não nos anima…
Mais um jogo do campeonato, mais 3 pontos, com um 3-0 que nos deveria, pela frieza dos números contra um Guimarães teoricamente difícil, deixar bem animados. Mas infelizmente, as redes sociais não mentem, perpassando uma sensação de descrença que se radica numa pobreza exibicional que intranquiliza o mais calmo dos adeptos.
Do fim para o princípio, o objetivo imediato foi cumprido, principalmente graças a um Rios sempre generoso “a morder as canelas” (no bom sentido) aos adversários na busca da bola e que após 2 roubos a adversários incautos, soube demonstrar que o seu futebol se baseia nos princípios do coletivo ao oferecer a Prestianni e Pavlidis, a oportunidade de concretizarem. Com 2-0, dantes havia convicção de que “estava ganho”, hoje anseia-se pelo 3-0 para se respirar melhor.
Este futebol do Benfica está órfão de um pensador de jogo, um daqueles que imponha ritmos, acelere ou trave consoante o jogo pede. Rios poderia ser esse tal, mas o seu jogo é vertical, de primeiro toque e aceleremos para a frente. Quem mais poderia ser? Segundo Mourinho, Aursnes, por quem todos andamos a suspirar, tantas as perdas de bola em transições que nos desesperam. Barreiro e Enzo também andam por esses bandas do terreno, são igualmente úteis em desarmes, mas a fluidez de jogo precisa de mais.
A 7 pontos do FC Porto, com este vencedor em Braga, o campeonato torna-se uma miríade. Matematicamente possível, a crença entre os adeptos esboroa-se e fica a esperança de uma luta pelo 2 lugar, o primeiro do últimos que dá a possibilidade de entrada, via eliminatórias preliminares, na Champions. Pelos milhões envolvidos, o fraco consolo transforma-se num objetivo primordial para todos, sobretudo para uma Direção que deles precisa para a estabilidade económica e também financeira.
Agora, temos uma pausa para as seleções, com viagens mais ou menos longas para os nossos internacionais que seguramente os desgastam, tanto ou mais do que os jogos. Os que ficam, podem descansar e recuperar as fadigas acumuladas ou aproveitar para recuperar de lesões (como Aursnes). Temos jogos complicados, todos eles determinantes para chegar ao 2 lugar e precisamos de todos. A parte chata disto é que nos treinos que decorrem neste período, torna-se impossível treinar o coletivo como tanto precisávamos (como se viu pelo futebol desgarrado praticado neste jogo contra o Guimarães).
Esta pausa sem pressões competitivas, também poderia proporcionar reflexões para o futuro. A nossa performance competitiva deixa muito a desejar nesta década do Século XXI, como se comprova pela escassez de títulos com que os nossos rivais se têm banqueteado, também em resultado de mudanças diretivas que prenunciam planeamentos estruturados. Donde, os nossos caminhos estão cada vez mais estreitos e gostaria de tentar perceber se, a nível da Administração da SAD, existem planos estratégicos, muito para além de se tentar atingir o 2 lugar, para inverter este “círculo vicioso” do nosso “core business” e, já agora, perceber quais são, dado que os riscos de se “cavar o fosso” para os nossos adversários é bem real.
Apontamentos
1. Semana de festa com a entrega dos prémios Cosme Damião, com um bom discurso de revolta de Rui Costa, mas com a clara percepção de inconsequência, quando vemos Proença convidado.
2. Gostaria de tentar perceber a lógica de distribuição dos lugares no camarote presidencial, até porque imagino ser um “puzzle” de muito difícil resolução. Compreendo que os lugares-nobre sejam para os adversários contra quem jogamos e convidados VIP, como representantes da Liga ou FPF ou UEFA e representantes do Governo quando se justifique a presença. Também me dizem ser tradição que a quase totalidade dos Órgãos Sociais fica no lado direito do camarote e realmente muitos vejo em lugares nada condicentes com os cargos desempenhados, em detrimento de uns quantos com percursos controversos no que ao Benfica diz respeito. Pelo que vejo, acho que o assunto merece ser revisitado.
Manuel Boto (Sócio 2794)