Pensemos noutras coisas, por exemplo na Rádio Benfica
As pausas para jogos das Seleções têm vantagens e
desvantagens para todos os clubes, mesmo para os que não cedem qualquer
jogador. De uma forma simplista, diria que, do lado positivo, permite a
recuperação de jogadores lesionados ou com excesso de jogos e, para
aquelas que não cedem jogadores é indiscutível que podem aproveitar estes períodos
para afinar treinos de conjunto, sem a pressão de jogos que custam pontos. Do
lado negativo, eu até diria que são apenas para os clubes que cedem jogadores,
perdem-se muitos dias de treino quantas vezes com consequências pontuais, já
sem falar que imagino os treinadores e responsáveis destas equipas a andarem a aceder
velinhas para não terem surpresas desagradáveis quando os jogadores regressarem
da Seleção (como exemplo, relembremos o que sucedeu com Lukebakio que partiu um
pé ao serviço da Bélgica, em novembro passado).
Para mim, que escrevo por puro prazer essencialmente
sobre o “core business” do Benfica, estas pausas permitem-me refletir sobre
questões estruturais e/ou temas que não são do dia-a-dia. Dado que as
circunstâncias dos resultados e exibições das últimas semanas me têm feito
pensar e defendido nas últimas crónicas que temos de
desenvolver planos estratégicos futuros com base na estabilidade da gestão do
futebol, vou neste período abordar outros temas que reputo de igualmente
importantes.
Por hoje, vou falar na Rádio Benfica, um projeto de que
sempre duvidei na sua viabilidade económica, muito defendido no passado por
José Nuno Martins e que a dupla LFV e DSO nunca verdadeiramente acarinhou. Desconhecendo
eu objetivamente as razões pela qual nunca avançou, imagino, contudo, que, com
os respetivos pragmatismos de gestores, considerassem a relação “custo x
benefício” altamente desfavorável para o Benfica.
Por isto ou aquilo, o projeto ressuscitou há pouco tempo,
tendo como “sponsor” José Gandarez e acredito que certamente acarinhado por Rui
Costa. Pessoalmente, fiquei altamente surpreendido com o renascer desta ideia e
confesso desde já igualmente desconhecer as razões pelas quais se entendeu que atualmente
teria o mérito que dantes se duvidava. Adiante - a realidade é que se avançou (ao
que li, em linguagem simples, envolvia a modificação de um projeto existente
que se transformaria em Benfica FM) e, pasme-se, constato que não se assegurou previamente
que seria obtida a anuência da ERC que o recusou há dias. Da leitura
justificativa da decisão por parte deste Regulador, registei, entre múltiplas
justificações, que não se entendeu que o projeto garantisse pluralismo porque
associado a um universo desportivo específico, etc, etc. Resumindo, o Benfica
não obteve a ansiada frequência de transmissão e essa é hoje a realidade
insofismável (e, pelo texto da ERC, creio que a decisão será irreversível).
Donde e agora, para além da vergonha de um projeto
falhado associado ao Benfica numa área que certamente não era essencial como nunca
foi, perante este clamoroso fracasso que constitui uma autêntica “facada” no
prestígio do Benfica, quiçá também nas finanças, aqui deixo umas perguntas de
leigo: será que, entretanto, foram contratados quadros, como jornalistas ou
outros, para este projeto? Qual a posição de Nuno Catarino (não esquecer que é
o responsável financeiro do Grupo Benfica) sobre a viabilidade financeira deste
projeto? Ou fica tudo como dantes e a culpa “morre solteira”?
PS. Até no voleibol, surge inacreditavelmente um caso de
racismo por parte de alguém do público em Espinho – desta vez com Lucas França,
nosso jogador, como vítima (a quem daqui presto a minha solidariedade). Dada a
inusitada frequência de casos nos últimos tempos, a justiça não pode ter
contemplações com quem não tem ponta de civismo e educação, seja nos recintos
desportivos ou não.
Manuel Boto (Sócio 2.794)