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O pior nem foi a eliminação na Taça da Liga...

O pior nem foi a eliminação da Taça da Liga…

Realmente, uma deceção! Um jogo com uma 1ª parte abaixo do medíocre, depois de um início até promissor, que terminou com o Braga a ganhar justamente por 2 bolas de diferença. Uma 2ª parte em que “arrebitámos a pestana”, procurámos recuperar, metemos um golo de (mais um) penalti a demonstrar que a concretização também é um problema contra boas equipas e o 1-3 arrumou connosco. Otamendi expulso foi a cereja em cima do bolo.

Mou tinha jogado há dias contra Carlos Vicens e na conferência que antecedeu o jogo referiu que o seu adversário era ousado e iria tentar ganhar a eliminatória. Tudo se comprovou e Carlos Vicens demonstrou que estudou bem o Benfica. Mou foi ele mesmo, conservador na constituição da equipa, mantendo-a sem alas de raiz, obrigando um construtor de jogo como Sudakov a jogar fora do lugar e Vicens não perdoou. Meteu Zalazar a jogar pela direita onde estão 2 jogadores lentos a defender e foi um festival. Felizmente que eu nada percebo de bola…

Na conferência de imprensa, Mou foi mais um comentador a fazer uma análise fria do jogo, demonstrando até estar “magoado” enquanto benfiquista com tão fraca exibição dos jogadores do seu clube. Não contornou a péssima exibição da 1ª parte, concordando com todas as leituras do jogo feitas pelos peritos da bola, informando no final que os jogadores do Benfica iriam dormir no Seixal, qual castigo a crianças malcomportadas.

Nisto tudo só faltou um detalhe: ouvir o treinador, afinal e sempre o primeiro responsável por tudo o que de bom ou mau acontece no campo. Sobrou o comentador, faltou o treinador assumir a sua (enorme) quota-parte neste estrondoso falhanço na abordagem ao jogo. As equipas na verdadeira aceção da palavra são solidárias e solidariedade foi algo que não se viu nesta conferência de imprensa. Dir-se-á que foi estratégia para espicaçar os jogadores, eu chamar-lhe-ia outra coisa, um nome feio que me inibo de escrever.

E agora, Benfica? Os seus dirigentes andam ufanos a falar da construção de um sonho, um Benfica District do qual apenas sobrou a ideia para tanta falta de realidade. O futebol, afinal o “core business” à volta do qual tudo gira, parece andar desligado da realidade quotidiana. Mostramos interesse por um jogador (Sidny) e contratámos, mas logo a seguir permite-se uma novela com André Luis.  As carências de alternativas consistentes são notórias neste plantel em que os titulares são esticados até à exaustão porque no início da época alguém se esqueceu de o planear adequadamente. Janeiro era claramente um mês onde tudo se decidia, quiçá o futuro do Benfica nos próximos 3 ou 4 anos, mas já vamos bem dentro do mês e vamos jogar uma eliminatória ao FC Porto com uma equipa remendada. Falta de dinheiro ou falta de visão estratégica ou de tudo um pouco?

A Champions vem já aí com 2 jogos daqueles que todos gostamos de jogar – incluindo os adeptos. Mais remendos a demonstrar que a manta é curta e não estica? A realidade é que o final do mês se aproxima e as ilusões que Mou nos trouxe, também de planeamento, se esboroam na realidade dos 10 pontos de distância do líder do campeonato que até está a jogar muito bem, eliminados da Taça da Liga e com jogos para a Taça de Portugal e Champions em que apenas a inquebrantável fé benfiquista nos pode fazer sonhar.

Convenhamos que é muito curto!

Manuel Boto

Sócio 2794