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Sobressaltar o futebol português (por Nuno Paiva Brandão)

SOBRESSALTAR O FUTEBOL PORTUGUÊS 

Estranha condição a do futebol português, em que os goleadores Pavlidis, Suarez e Samu, são menos debatidos que árbitros como Tiago Martins (VAR), João Gonçalves, João Pinheiro e Rui Silva (VAR).

Os recentes e funestos episódios de arbitragem nos Açores e em Braga, representam apenas uma aceleração de uma tendência pesada. Temos assistido à desconstrução das normas de equidade nas competições de futebol profissional em Portugal. 

Em consequência, as desejáveis hierarquias classificativas baseadas no mérito, no talento e no esforço, desintegram-se, sendo substituídas por classificações influenciadas por arbitragens que interferem nos desfechos dos jogos. Ora, a diluição da fronteira entre uma competição justa e uma concorrência enviesada, tem efeitos dramáticos no prestigio de um campeonato e afeta os interesses vitais, desportivos e financeiros, de um clube histórico como o Benfica.

Quem assista a jogos da Premier League, verificará que, em geral, a arbitragem tem um efeito protetor da justiça da competição e de estabilização dos interesses desportivos e financeiros dos clubes envolvidos. Em Portugal, tanto as arbitragens, como os processos de suporte (critérios de nomeação opacos, falta de transparência nas avaliações, opacidade nas sanções por erros grosseiros, ex-árbitros de fraca qualidade convertidos em VAR), estão a ser um fator de perturbação das competições, multiplicando as fricções e desequilibrando a justiça competitiva. 

Em Inglaterra, os pontos conquistados são função do mérito; em Portugal, pontos atribuídos por erros de percepção, de interpretação ou de outra índole, outorgam mérito aos beneficiados, oferecendo-lhes uma escada dourada para títulos e recompensas financeiras.

Com o auxílio de comentadores desportivos interessados, rapidamente os vícios se transformam em virtudes.

A meritocracia, é uma conquista das sociedades modernas: a posição de cada um na sociedade deve refletir apenas o seu talento e esforço, sem distorções. O futebol sendo uma atividade social fundamental, fonte potencial de coesão e integração social e escola de valores, tem de assentar em critérios meritocráticos e afastar-se de centros de interesses particulares e de intrigas, criadores de barreiras à competição limpa e justa.

O Benfica, com a sua história única no futebol português, com a grandeza da sua massa associativa e de adeptos, não se pode conformar com a situação atual. Com a dinâmica gerada pelos dois atos eleitorais e pela contratação de Mourinho, com a experiência dos seus dirigentes, o Benfica tem de causar um sobressalto nas instituições que dirigem o futebol e nos seus auto-satisfeitos burocratas. Os interesses vitais do clube estão em causa, tanto no plano desportivo como no financeiro.

Aceitará a Direção do Benfica, que o condenem a sofrer injustiças ou ultrapassará a atual etapa de denuncias e protestos e tomará ações mais contundentes e decisivas para induzir uma mudança da situação?

Seremos responsáveis pelo nosso destino ou ficaremos à mercê de novas injustiças ou da "boa vontade" de outros?

Atuaremos ou permitiremos?

A resposta está com Rui Costa e a Direção do clube.

Nuno Paiva Brandão - Sócio 50.166