Desilusão, sem grandes ilusões…
1. Horas antes,
num almoço com o meu neto mais velho, este perguntava-me qual o resultado que
eu esperava em Turim. Sorri, antes de lhe dizer que esperava tudo, até uma
vitória do Benfica – ou seja, vaticinava uma tripla no Totobola.
A equipa que Mou
apresentou foi quase a que eu esperava em que arriscaria Ivanovic no lugar de
Pavlidis, não só para dar descanso a este, mas para dar profundidade ao ataque
que tinha de fazer transições rápidas perante um defesa italiana, bem treinada
agora por Spalletti. Se, a nível interno esta equipa com demasiados titulares
lesionados (Lukebakio, Rios, Bah) e outros em recuperação (Barrenechea, Manu, Bruma) pode chegar para a maioria dos jogos,
a nível internacional a coisa muda de figura e daí os meus receios, mesmo assim
acreditando, por pura fé benfiquista, que até poderíamos ganhar.
Jogou-se o jogo,
sobrou arreganho e pertinácia, mas falemos claro - faltou a classe que os jogos
das Champions exigem. O penalti de Pavlidis, em que este escorregou e o remate
saiu para “o pinhal”, foi talvez o espelho da incapacidade atacante, por muito
injusto que eu esteja a ser, até porque Pavlidis não falha nenhum há meses. O apuramento por que as finanças da SAD suspiram ficou na calculadora, com demasiados “se’s” para
sermos realistas, mas não foi ontem que este ficou em risco – mas no jogo da
Luz contra o Qarabag, em que conseguimos “a proeza” de deixar virar um 2-0 em
2-3.
Vem aí o Real
Madrid, um clássico ibérico com muita história e estórias, em que acredito que vamos
jogar com tudo para ganhar, como ontem – sim, porque ontem os jogadores deram
tudo o que sabiam, embora escasso para conseguir golos e, logo, um melhor
resultado. Pelo meio ainda jogaremos contra um Estrela que na Amadora nos deu “água
pela barba”, mas que vem de uma derrota caseira, bem dolorosa, com o Estoril
(0-5). Este, temos absolutamente de ganhar, porque a realidade se sobrepõe a
ficções e o mínimo dos mínimos que se exige desta época – o 2º lugar - ainda
está ao nosso alcance nesta segunda fase da época, para já reforçados com Rafa
e Sidny.
Um já agora que se impõe: nada
acontece por acaso. Qualquer época desportiva num clube como Benfica é fruto de
planeamento, necessariamente com 2 ou 3 anos de antecedência. As mutações
sucessivas de treinadores, também de dirigentes no setor do futebol, de onde resulta a inexistência
de uma linha estável orientadora resulta nisto – em remendos sucessivos, em que
os sucessos são fruto de acasos ou inspirações momentâneas. Um tema a que
voltarei quando for tempo de balanços.
2. O jogo que
disputámos contra o Rio Ave teve a sua estória, particularmente uma bela 1ª
parte, com dinâmicas muito interessantes e possíveis a nível interno, onde o
problema maior foi a falta de concretização, pecha que vem sendo uma
característica de demasiados jogos nesta época. Jogar sem marcar, normalmente conduz
a arrepios e foram alguns os que tivemos na segunda parte,
felizmente sem arriscar uma vitória mais do que justa.
Impossível terminar
sem falar no que considero ser um erro de arbitragem daqueles que nos leva a
pensar que nem tudo é cristalino neste setor. Numa jogada na área do Rio Ave,
num lance embrulhado, um jogador do Rio Ave cai e puxa objetivamente a bola com
a mão - seja por instinto ou de forma deliberada. Para o VAR não foi penalti,
revertendo a decisão, para mim correta, inicial do árbitro. Os comentadores de
arbitragem, em uníssono, concordaram com o VAR e eu pergunto: então penaltis
com o da Luz no jogo com o Casa Pia, assacado a António, em que a bola manifestamente
vem de um ressalto ou, recentemente, o que foi marcado a Dahl em que a bola vai
ao braço por posição “não natural” são pacificamente aceites pelos tais peritos,
como é possível não considerar este penalti em Vila do Conde? Que mais haverá
para nos ser explicado?
Manuel Boto
Sócio nº 2.794