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Ai, Pavlidis...

 Ai, Pavlidis…

1. O Benfica carregava, eu olhava para a televisão, crente que ainda era possível o empate. Pelo minuto 90, levantei-me e de imediato regressei ao sofá, incrédulo com a perdida de Pavlidis, o mesmo que tantas vezes nos tem salvo e que ainda deve estar a pensar como terá sido possível falhar um golo “cantado” daqueles à beira da baliza, sem ninguém na frente, após passe soberbo do proscrito Scheldrup.

O futebol tem destes momentos, que mudam tudo quando dão golo e originam euforias ou deixam soçobrados, quando falhados, todos aqueles que vibram pelas cores. As críticas que eram mordazes tornam-se elogiosas ou carregam ainda mais a negritude da ocasião. Fosse golo e era provável haver prolongamento, comigo convicto que o Benfica estava fisicamente bem melhor do que o FC Porto. Não foi e o jogo acaba com uma eliminação injusta a incrementar as críticas fundadas numa época que deixa imenso a desejar (até agora).

Os dias que antecederam o jogo no Dragão foram muito complicados. Pela derrota contra o Braga (que surpreendentemente soçobra logo a seguir contra Guimarães e Fafe, dois jogos em que era amplamente favorito) e posteriores declarações cáusticas de Mou com os seus jogadores, pela expulsão de Otamendi que o impedia de jogar contra o FC Porto, pelas excessivas lesões num plantel com poucas soluções para jogos com este nível de exigência. Mas Mou conseguiu alinhavar uma equipa que não só respondeu “taco-a-taco” à equipa do FC Porto que até beneficiou de um golo oferecido por uma defesa que não tem altura (e que ditou o resultado), como se superiorizou em largos momentos de jogo.

Dito isto, a realidade é que perdemos. Uma derrota amarga pelas consequências imediatas da eliminação na Taça de Portugal que a somar a outra derrota amarga na Taça da Liga, veio exacerbar os ânimos, lançar descrenças alicerçadas numa época que está a ser frustrante, também porque o líder do campeonato está a 10 pontos de distância. As paixões são assim, com muito de irracionalidade.

Olhando para o copo meio-cheio, vejo a clara melhoria qualitativa do jogo da equipa em relação ao jogo do campeonato no Dragão, em que empatámos 0-0, mas que defendemos mais do que atacámos. Ontem vimos uma equipa crente e confiante, lutando por um resultado positivo, encostando o adversário “às cordas” na parte final a quem faltou a classe necessária para aproveitar as oportunidades criadas, esse tal pequeno/grande detalhe que decide jogos e títulos, mais do que a sorte que indiscutivelmente não tivemos (Ai, Pavlidis…).

Arredados das Taças, temos o campeonato e a Champions – sim a Champions. Quem jogou assim no Dragão pode almejar passar aos jogos seguintes, mesmo contra Juventus e Real Madrid (ontem derrotado pelo Albacete por 2-3). Não será o plantel de Mou como ele já o referiu, mas está a conseguir montar uma equipa competitiva e ainda acredito que venham mais jogadores neste mês de janeiro para somar no campeonato e talvez na Champions. No fim, faremos o balanço e este muito irá depender da posição final, com o Sporting hoje a 3 pontos e o FC Porto a 10 (7 mais 3 que tem de jogar connosco).

Até lá, contem sempre com o meu apoio, por vezes crítico, mas sempre benfiquista.

2. Infelizmente, o VAR voltou a ser notícia, apesar de comodamente instalados no sofá e com diversas câmaras televisivas à disposição, desta vez com o Benfica a ter fundadas razões de queixa, como a maioria dos especialistas de arbitragem comentam sobre o jogo. A credibilidade do futebol português a nível internacional, sobretudo em vésperas de discutir modelos de distribuição da centralização de direitos, exige que este tema do VAR seja urgentemente debatido e todos os que cometem erros grosseiros sejam liminarmente penalizados e, quiçá, definitivamente afastados.

PS - ainda um apontamento final do Dragão: inaceitável e incompreensível a situação vivida pelos apoiantes do Benfica, humilhados à entrada por terem sido obrigados a se descalçar e muitos autorizados a entrar apenas na 2ª parte; o Benfica já produziu um comunicado, mas não chega – tem de haver consequências por parte da Liga.

Manuel Boto

Sócio 2794