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Será que foi o 1º dia de uma nova era?

Será que foi o 1º dia da nova era?

Sempre acreditei! Quando os meus amigos me questionavam sobre a minha “certeza” de ganhar em Alvalade, eu respondia – com cabecinha e garra, defendendo bem e metendo velocidade nos contra-ataques, a probabilidade de ganhar é muito alta. Dito e feito, ou melhor, a equipa conseguiu fazer exatamente o que preconizei, tal como Mourinho prenunciava quando disse na véspera que, para estes jogos, não é preciso motivar jogadores. E realmente, não foi…

Tivemos a estrelinha, é verdade! Uns 2 lances nos postes, um penalti defendido ainda na fase inicial com imenso mérito por Trubin (como por várias vezes já nos habituou), mas também fizemos muito por isso. Defendemos muito e sempre bem, sob a batuta de Aursnes no miolo (grande regresso de um futuro e inquestionável capitão!), raramente demos espaços aos perigosos contra-ataques do Sporting (que tem excelentes jogadores e muito criativos, habituados a criar desequilíbrios nas defesas adversárias), mas (há sempre um mas…) múltiplas vezes perdemos demasiadas bolas na construção do jogo, dificultando imenso a nossa tarefa de transportar a bola para o meio-campo adversário. Tivemos mesmo assim várias oportunidades, como a da cabeçada de Otamendi ou por Schjeldrup que por mais de uma vez visou com categoria a baliza do Sporting (sempre com mérito do guarda-redes a conseguir deter estes remates). No final, depois do empate, Mourinho procurou a vitória e depois de Barreiro ter falhado uma daquelas que todos marcamos quando estamos nas bancadas (passe de Lukebakio), Rafa sentenciou, finalmente, e os 3 pontos ficaram deste lado com imenso mérito.

Feliz com os 3 pontos de uma vitória sempre saborosa num jogo em que ganhar conta imenso para todos os benfiquistas (como a inversa é igualmente verdadeira), assistimos à conferência de imprensa de Mourinho (que no final batia no peito, certamente orgulhoso por sentir que a vitória tinha muito da sua orientação estratégica). Nesta, lamentou, como todos nós, que esta bela vitória não tivesse chegado para nos dar o 2º lugar - relembrando o malfadado jogo do Casa Pia, expoente claro do inadmissível numa equipa de futebol altamente profissional como a do Benfica, mas a somar a outras situações onde, a ganhar, perdemos no final os 3 pontos contra equipas da segunda metade da tabela. Bem pode Mourinho falar das arbitragens e do “colinho” dado aos nossos rivais – indiscutível – porque a verdade é que, se hoje não estamos a lutar pelo título, a responsabilidade é toda nossa, por lapsos incompreensíveis ou hiatos de mentalidade.

Contudo, se bem que ganhámos e indiscutivelmente com a mestria demonstrada na constituição da equipa e na condução de todo o jogo por Mourinho, também os leigos dos adeptos estranharam que, durante o jogo, ainda antes do empate, Mourinho não tivesse querido dar a estocada final, antecipando as substituições que teve de fazer pelo golo do Sporting (a tempo, mas quase sem tempo porque o golo do triunfo foi na compensação). A minha convicção de leigo é que a pressão adicional lá atrás faria com que o Sporting tivesse de recuar porque os nossos atacantes estavam muito frescos e, quiçá, o empate não aconteceria. Mas, lá está – ele é o treinador e como ganhou, para gáudio de todos nós, estas teorias de leigo ficam derrotadas pela realidade da vitória.

Agora, bem… agora… é esperar pelo final da época. No campo e fora dele, Mourinho já fez e mais do que justificou a sua continuidade. Rui Costa, até hoje, diz sempre que o treinador tem contrato por mais uma época – verdade, mas deixa pairar no ar incertezas que não podem nem devem existir. Aguardemos então, mas acrescento ter a profunda convicção de que a continuidade de Mourinho poderia significar o início de uma nova era – pautada por rigor e exigência, com jogadores escolhidos para o futebol em que acredita, sabendo ele que a nossa cultura benfiquista exige sempre jogadores de categoria (jamais descurando o mercado nacional), com dedicação total, sem hiatos de mentalidade seja contra quem for e um futebol predominantemente atacante, em que as vitórias sejam regra – porque só assim recuperaremos a hegemonia e, com ela, a mística (que nasce na exigência e continuidade de vitórias).

Manuel Boto – Sócio nº 2.794