Pior do que “azia”…
Comecemos pelo princípio e sem rodeios: perdemos infantilmente mais 2
pontos contra o Casa Pia em Rio Maior depois de termos conseguido angariar uma
vantagem, apenas e só por falta de categoria, contra uma equipa da segunda
metade da tabela, tal como já nos tinha acontecido em 3 outros jogos na Luz
(Santa Clara, Rio Ave e o mesmo Casa Pia que assim nos rouba inacreditavelmente
4 pontos no campeonato – 7, se somarmos a derrota do ano passado).
Durante meses fui dos poucos que acreditei piamente que conseguiríamos
chegar a Alvalade a 3 pontos, no jogo que poderia definir o 2º lugar, a
disputar a 19 abril. Hoje, confrontado com a realidade de depender de
terceiros, ou seja, esperar que uma qualquer equipa que roube pontos ao
Sporting, é situação que qualquer benfiquista de tempos antanhos como eu não
concebe admitir. Vão 9 empates, é demasiado empate para nos queixarmos de
arbitragens, tantas e tamanhas as culpas próprias.
O plantel tem carências qualitativas que por demasiadas vezes apontei,
sempre na esperança de que janeiro pudesse corrigir o por demais evidente.
Passou janeiro e perdeu-se objetivamente essa janela, assistindo aos reforços
que Sporting e sobretudo Porto conseguiram. Fomos buscar Sidny e Rafa que pouco
ou nada justificaram e quanto a um 6 e um 9 “alto e espadaúdo”, nem vê-los. No
futebol profissional os erros de gestão pagam-se muito caro, tanto quanto os
erros coletivos e individuais que ontem vimos e que nos custaram o empate –
apenas mais um lance a juntar aos tantos outros que, em vantagem, nos fizeram
perder pontos que estavam ganhos.
Quem andou no desporto de alta competição sabe que erros de atitude são
sempre indesculpáveis e, quando os vemos em profissionais muito bem pagos, não há qualquer ponta de indulgência. Uma primeira parte muito mal
jogada como em tantas ocasiões, sem capacidade de marcar a diferença perante um adversário claramente
inferior, quiçá acreditando que as camisolas ganham jogos - isto, porque demasiado repetitivo são culpas coletivas que se pagam muito caro. Jogar com vontade apenas as segundas
partes é dar vantagem às equipas que defendem muito como a de ontem e que
ganham moral com o tempo a passar – pelo que o 3º lugar é consequência lógica
de mais uma vez malbaratarmos 45’. Depois, os tais erros que, como adeptos
escaldados, estamos sempre à espera de poder acontecer, sobretudo quando depois
de fazermos o 1-0 não procuramos logo a seguir matar o jogo, deixando o
adversário respirar e acreditar num qualquer bambúrrio de sorte – que mais uma
vez ontem sucedeu, em lance digno do anedotário deste campeonato. Mourinho, no final,
fez a leitura adequada do jogo e das razões que nos fizeram perder 2 pontos,
mas mais uma vez se esqueceu que o treinador é o primeiro responsável e que só
lhe ficava bem guardar os comentários corrosivos para o segredo dos gabinetes.
E agora, “quo vadis” Benfica? Estamos numa grave
encruzilhada perante os sérios riscos de ficarmos fora do pote dourado da
Champions com todas as limitações que tal implica, a começar pelos “gaps”
de Tesouraria que poderão condicionar a época do próximo ano. A agravar este
cenário temos a perda clara de influência nos gabinetes decisores da bola, como
se constata pelas arbitragens e decisões do Conselho de Disciplina, claramente
com bitolas diferentes como se viu recentemente com Mourinho e Dedic.
Donde, claramente urge a tomada de decisões que até são fáceis para quem
está habituado a decidir e isso é precisamente o meu receio neste momento. A
espuma dos acontecimentos trará tentações de recomeçar tudo de novo ou far-se-á
uma aposta na continuidade, como defendo intransigentemente? Mourinho quererá
continuar ou o seu discurso azedo e amargo, com críticas explícitas a jogadores
ou “ativos” que considera não terem condições para vestir a camisola do
Benfica, prenuncia a rotura, tal como dizem que aconselhado por Jorge Mendes?
Vamos finalmente confrontar Proença ou continuaremos nesta candura que só nos
prejudica?
Finalmente, a premonição de LFV nas últimas eleições está nos ouvidos de
muitos, seguramente também de Rui Costa – referindo que a sua reeleição conduziria
a novas eleições no prazo de 2 anos. Outra época como esta e a Direção de Rui
Costa claramente não se safa, tamanha a contestação inclemente que já hoje se
desenha.
Por tudo isto, tem
a palavra Rui Costa e deveria ser claro em intervenção urgente para explicar ao
universo benfiquista quais as suas apostas, quer na liderança da equipe quer
nos relacionamentos institucionais. Precisamos de um Presidente visível e
sentir que possui capacidade de decisão, porque este tempo é de decisões,
nenhuma delas fácil.
Manuel Boto –
Sócio nº 2794