St. Gallen não deu “galo”!
Tal como eu previa, o nosso Benfica ultrapassou o St. Gallen, com maior ou menor dificuldade. Uma primeira parte a confirmar múltiplos problemas na equipa, sobretudo quando procurávamos sair com a bola da zona defensiva em transições a carecerem de urgentes melhorias face a marcações apertadas, uma defesa que teve alguns sobressaltos com um Baldé endiabrado a moer o juízo a Bah, um Trubin a alternar o bom com momentos de insegurança preocupante, um miolo que não conseguia segurar o jogo, enredado nas marcações individuais e apenas quando metemos alguma velocidade na superior técnica dos nossos jogadores conseguimos um golo e até poderíamos ter feito mais. A 2ª parte trouxe ao de cima a superior categoria do nosso coletivo, e quiçá por Marco Silva ter exigido maior velocidade, o difícil tornou-se fácil. A entrada dos mundialistas veio acabar com um St. Gallen já destroçado e incapaz de responder. Foram 5, poderiam ter sido mais, mas os Suíços também tiveram oportunidades de marcar, tanto na 1ª como na 2ª parte, aqui particularmente preocupante porque jogavam apenas com 10 e abrimos uma avenida “de costa a costa” só faltando o golo que não calhou.
Resumindo: o jogo confirmou os meus receios sobre a diferença de categoria entre os supostamente titulares, mundialistas incluídos, e os outros. Pois é: já andamos a jogar oficialmente e Rui Costa disse há dias o óbvio – que o plantel não está fechado (e seria preocupante se o estivesse), pelo que, na minha opinião, ou damos uma volta nos próximos dias adquirindo 2 ou 3 titulares indiscutíveis (sem contar com saídas) ou concordo com Rui Costa: este plantel não dá garantias para as exigências do nosso Campeonato e da Liga Europa. Há uma evidente diferença abissal entre uns e os outros, com alguns pelo meio que se aproveitam, mas terão de o provar.
Vem aí o Hearts (Escócia), equipa que, por um triz, não ganhou o campeonato o ano passado e os nossos corações vão bater bem mais forte do que contra o St. Gallen. Primeiro jogo na Luz, ou seja, não dá para esperar pela 2ª mão para corrigir – ou fazemos pela vida já a 6 de agosto ou se formos para a Escócia na fé de que o Benfica resolve os jogos em qualquer campo, a “coisa” pode correr mesmo mal. Para já, na Luz, teremos mais uma semana de treinos, os mundialistas vão-se reintegrando e poderão já ter condições de espreitar a titularidade, dando melhores garantias do que muitos dos que até agora têm jogado – pese embora o inegável esforço com que jogam, a realidade é que não conseguem jogar melhor (e o Viseu vem logo a seguir, a 9 de agosto, para começar o campeonato).
Apontamentos
1. As estruturas do futebol nacional e internacional estão na berlinda
pelas piores razões e as linhas que aqui escrevo até são demais porque estou a
dar importância a quem não a merece.
Em Portugal, Proença foi apanhado em escutas que, por muito que sejam
ilegais, entendo que lhe retiram toda e qualquer credibilidade a nível interno para
continuar na Presidência da FPF. Sinceramente, nunca esperei ouvir o que os áudios
transmitem, ou seja, Proença a criticar de forma tão contundente (e abrangente)
os seus antigos colegas – só pergunto: falta muito para a demissão? Ai Benfica,
ai Rui Costa, já se convenceram do tremendo equívoco que foi o apoio dado a
Proença, em detrimento de Nuno Lobo?
Na FIFA, um Infantino acusado de um episódio de lesa-futebol neste Mundial como
foi o perdão a um jogador americano para jogar contra a Bélgica (1-4) que somou
à ousadia de organizar um Mundial com 48 clubes [e já se fala em 64 para 2030 (!!!)]
o que implica que os principais jogadores cheguem (quase) sem férias aos clubes,
prejudicando de forma evidente quem lhes paga, tirou mais um coelho da cartola.
Desta vez, quer ceder parte dos direitos comerciais na organização de mundiais a entidades privadas, aliciando
todas as federações com milhões e milhões de euros. A UEFA já tomou uma posição
claramente contra, inclusive ameaçando boicotar o próximo Mundial de 2030.
Entretanto, o seu nº 2, Carlos Cordeiro, já veio publicamente opor-se, tal como
o COO da FIFA – Kevin Lamour.
Será que finalmente o futebol conseguirá trilhar novos caminhos, livrando-se
de quem está a mais?
2. António Silva – um dia, gostaria de saber a razão pela qual queres sair. Jogares na Luz é jogares em casa, porque nesta casa cresceste. Acreditares que conseguirás ser melhor noutro clube, não será o Bournemouth que te dará a mesma luz. Fica a sensação de que sais porque sim – mas, desejo-te sinceramente que sejas feliz e representes o nosso Seixal no Mundo.
3. Aguardo com curiosidade a informação sobre as remunerações dos órgãos sociais do Clube e da SAD em 2025/26 - que espero ver discriminada por todas as empresas do Universo Benfica.
Manuel Boto - Sócio nº 2.794