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Um Benfica sem planeamento

Um Benfica sem planeamento 

Quando terminou a final da Taça com a surpreendente vitória do Torreense sobre o Sporting, ficámos com a sentença lida: pré-eliminatórias da Liga Europa a começar a 23 julho, imediatamente a seguir a um Mundial onde teríamos, por certo, muitos jogadores convocados. 

Seguiu-se o folhetim Mourinho, com a novela Marco Silva a desenrolar-se ao mesmo tempo, mas o mínimo que se poderia esperar da estrutura altamente profissional (pelo menos ao nível do custo) que rege o futebol do Benfica é que, tudo sopesado, a equipa estivesse estruturada ao recebermos o St. Gallen.

Desde aí, estas semanas são o maior exemplo de que, no atual Benfica, se navega à vista. Não me passa pela cabeça de que as lacunas no plantel não estivessem mais do que identificadas, mas a realidade, como vimos ontem, é que andamos a adaptar um Manu Silva a central por falta de alternativas disponíveis - com a ausência no Mundial de T. Araújo e uma mais do que certa (e dizem que há muito prometida) venda de António. Continuamos sem um 6 indiscutível (suspirando por Aursnes para diversas posições), temos problemas nas laterais (sobretudo esquerda) e nas alas, nestas por falta de alternativas convincentes aos mundialistas (dizem que Prestianni está na porta de saída) e, na frente, Pavlidis vai disfarçando a falta do tal goleador que há muito escassa.

As poucas aquisições confirmadas, Lenglet (perfil diferente de Otamendi, mas nota-se que sabe o que faz) e Kaminsky (temos de lhe dar tempo), são as únicas que se conseguiu arranjar. Também veio um Gabriel Índio, mas com 17 anos, além do regresso do Tiago Gouveia, que manifestamente não contam, pelo menos por enquanto. Dizem que agora vem um tal Jhon Duran, um tipo que custou Eur. 77 M aos sauditas do Al Nassr e tem sido emprestado (Fenerbahçe e Zenit, em 25/26), com escassa utilização (conviria saber a razão), provavelmente a pensar relançar a carreira.

Nos entretantos, espantosamente porque fica a sensação de que a Luz é uma devassa (Marco já se queixou disso mesmo) os jornais vão-se enchendo de notícias sobre eventuais aquisições para os lugares de que estamos carenciados, com padrões de custo de 20-25 M euros, tipo bitola para qualquer lugar (enquanto que, desde o ano passado, os rivais se reforçam com jogadores de qualidade indiscutível e por valores significativamente inferiores). Exemplos? Palhinha, foi um quase - uma daquelas aquisições que poderia valer um campeonato - mas há na Luz quem decide que não percebe o básico, ou ainda Tiago Gabriel que será hipótese (?) e… caímos na realidade, ou seja, Marco vai adaptando o Manu Silva. 

Amigo chegado, supostamente muito familiarizado com a realidade interna do Clube, por mais de uma vez já me disse “tens tesouraria”? Em resposta vou dizendo que suspeito que o FC Porto também não a teria há um ano - mas estruturou uma qualquer estratégia financeira e a realidade é que foi campeão (indiscutível)! Aqui entra uma questão de planeamento estratégico financeiro, tipo linha de crédito permanente para nos aportar capacidade negocial que manifestamente não creio existir na Luz e pergunto-me porquê. A explicação de não irmos à Champions também se radica nesta realidade, como ficou bem demonstrado na janela de transferências de janeiro passado.

A ideia que passa, altamente preocupante, é que só compramos à medida que formos vendendo. Se, para comprarmos quem faz falta temos antes de vender quem certamente nos fará falta, consequentemente abrindo novas crateras no plantel, fica uma equação impossível de resolver. Uma coisa é certa: jogadores temos muitos, mas um plantel desejado para um Benfica dominador, pelo menos a nível nacional, em vésperas do St. Gallen, claramente não creio que tenhamos e isso é culpa inequívoca da Direção e de Mário Branco, qualquer que seja a ordem de responsabilidade. 

PS. Este jogo contra o Villarreal, apesar de uma 1a parte demasiado apática e triste, teve uma 2a parte com alguns bons apontamentos (2 golos de classe e umas quantas jogadas bem gizadas), pelo que acredito que para o St. Gallen estaremos preparados. Vamos lá até à Suíça, enquanto esperamos o regresso dos mundialistas, sem perceber se realmente chegam todos ou algum será vendido, obrigando à procura de alternativas, qual círculo vicioso que pode marcar a época.

Manuel Boto - Sócio 2.794