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Reflexões em férias

Reflexões em férias 

A vida dá imensas voltas… uma frase feita que tantos e tantos pronunciaram, certamente por muitas e ponderosas razões, umas felizes, outras quiçá nem tanto. Lembrei-me dela porque quis o acaso que diversos filhos de meus primos direitos casassem fora de Portugal, dado que as respetivas eram de países tão diversos como a República Checa, Itália, Estados Unidos ou Brasil. E lá fui sempre, fosse onde fosse, pelo enorme prazer de estar presente. O último que se lembrou de me fazer viajar, casou no passado dia 27 de junho na Bulgária e, sendo meu afilhado, obviamente que não poderia falhar esse momento único na vida dele.

Ora, o dia 27 de junho foi exatamente o dia escolhido pelos órgãos sociais do Benfica para fazerem 2 assembleias gerais, uma de aprovação do Orçamento (aprovado por 54,57%) e outra, sem quaisquer fins deliberativos - ao arrepio dos propósitos de qualquer Assembleia Geral - para se discutir o momento desportivo do Benfica, em particular do futebol. 

Não tendo assistido às assembleias, pouco poderei dizer, talvez até nada devesse dizer. Mas chegaram-me relatos que reputo de fidedignos que aliados a leituras que fiz servem de base aos escassos comentários que irei produzir sobre a assembleia em que o futebol foi o tema: (1) talvez a vedeta maior tenha sido Mauro Xavier, com ideias bem estruturadas e profusamente distribuídas posteriormente pelas redes sociais, “dizendo” que o Benfica pode contar com ele para o futuro, (2) os ex-candidatos que subiram ao palco para comentar a terrível época desportiva, foram objetivos e factuais, mas não terão entusiasmado os Sócios a ponto de se poder dizer que constituem alternativa(s) a Rui Costa - sendo muito preocupante que não desponte uma alternativa óbvia depois de 5 anos de um mandato com escassos títulos no futebol profissional (masculino), atividade “core” do Benfica, (3) Proença foi “bombo de festa” nas críticas generalizadas dos Sócios que subiram ao palanque, mas totalmente ineficazes, porque se Proença vier a cair pelas consequências deste folhetim “Duarte Gomes vs Luciano Gonçalves” (o que desejo, mas não acredito), não há louros a reclamar por Rui Costa, (4) Rui Costa, tendo poder oratório e estando muito bem preparado, não “caiu da cadeira” e fez discurso inflamado a afirmar tudo o que os Sócios gostam de ouvir, ultrapassando a assembleia com nota positiva, mas sem distinção, até porque verdadeiramente nem foi posto à prova.

Assim sendo, passemos adiante, até porque a época 26/27 já começou a 25 de junho, com uns treinos e o óbvio transparece: o plantel está longe ou muito longe de estar definido. Se não é preocupante também não é entusiasmante, sobretudo quando andamos a ler diariamente diversos nomes - nenhum daqueles que o comum dos Sócios diga: “entra de caras” - a surgirem como potenciais reforços, alguns até para lugares que acreditávamos estarem preenchidos, o que sugere dispensas de jogadores relevantes em 25/26. Quanto a lacunas que acreditaríamos carecerem de reforços, como o guarda-redes (sim!), lateral esquerdo (sim!), um 6, um 9… teremos de aguardar, até porque, porventura, a opinião de Março Silva será diferente e temos de confiar que saiba o que faz. 

Mas isto de mudar muito o plantel tem enormes custos e afirmar o otimismo só porque sim, porque somos Benfica - não é ser racional. No fundo, lá está: falta estabilidade na liderança da equipa com demasiados treinadores, falta planeamento estratégico de longo prazo (responsabilidade da Administração da SAD que deveria escolher quem se integra no que pretende do futebol profissional, mas também não vislumbramos nada que indicie existir quanto a modelo de jogo, etc) e, como já andamos há demasiados anos a assistir aos êxitos dos rivais, o que hoje pedimos é que o defeso em curso seja o momento 0 e rapidamente a época a iniciar seja o ano 1 de um projeto ganhador. 

Notas soltas
1. A vergonha que perpassa da arbitragem nacional com a saída de Duarte Gomes e as acusações que surgem na imprensa, é assunto demasiado grave para tudo ficar impune. Veremos se “a montanha não pariu um rato…”, porque ao ir para o Ministério Público existe o fundado receio de só termos decisões para as calendas. No entanto, para mim, o responsável de toda esta chinfrineira de Verão que mancha o futebol português tem o nome de… Proença. De tudo o que se tem passado como evidentes e notórios prejuízos para o Benfica, de tudo o que se tem lido, só uma coisa dou por certa: Rui Costa teria de ter apoiado Nuno Lobo! 
2. Grande, enorme Seleção de Cabo Verde! Todos puxámos pelos Tubarões Azuis e estes jogadores e treinador serão durante décadas relembrados.
3. No Congresso das Casa do Benfica foi aprovado um projeto absolutamente estruturante (Tratado do Estádio) para o desenvolvimento das Casas e, por inerência, do Benfica. Esperemos que se materializem as intenções e não fique tudo por PowerPoint, porque do que li, destaco, em particular, a importância crucial do (1) acompanhamento regular das modalidades das Casas e formação de treinadores e atletas com os métodos de treino do Benfica e (2) avanço do projeto de atividade desportiva com as Casas no centro da dinamização. Demos tempo ao tempo e esperemos que haja responsáveis nomeados a quem pedir contas até porque as ideias só são excelentes quando se concretizam.

Manuel Boto - Sócio 2.794