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Uma Seleção que desiludiu e um Benfica que preocupa…

Uma Seleção que desiludiu e um Benfica que preocupa…

Estamos no Verão, com uns dias canícula terrível e ainda é cedo para falarmos de Benfica (apesar de uns apontamentos que farei no final deste texto). A Seleção claramente dominou as notícias do defeso, mesmo as transferências surgiram como acontecimentos laterais nesta época. Uma Seleção que muito deixou a desejar, na minha opinião e acrescento desde já, muito por culpa de Proença e Martinez, por esta ordem. Depois, também por uns quantos jogadores que são mais vítimas que réus, porque aqui chegaram com mais de 60 jogos de alta competição nas pernas.

Falemos então da Seleção Nacional, começando por referir que sempre a segui com enorme paixão. Em miúdo, sempre que os meus Pais podiam (leia-se “escudos”), todo e qualquer jogo da Seleção, quando disputado em Lisboa, era uma festa coletiva em que participávamos - habitualmente no Estádio Nacional, sendo, pessoalmente, a memória mais marcante o jogo contra o Brasil em que Vicente “secou” Pelé e que ganhámos por 1-0 (1963, com golo do José Augusto).

Feito este intróito, ao qual ainda acrescento umas viagens atrás da Seleção a Europeus e Mundiais, reafirmo que sigo sempre com paixão os seus jogos e, literalmente, visto a camisola. Por isso e encurtando razões, dificilmente poderia ter muitas esperanças nesta equipa a jogar no Mundial, a não ser que muita coisa mudasse, a começar pelo Selecionador Roberto Martinez. O mais espantoso, é que, agora que estamos eliminados, Proença veio pressurosamente “sacudir a água do capote” referindo que também para ele, Martinez não seria a sua escolha, omitindo que tendo tido por mais de uma vez a possibilidade de o despedir nunca o fez, pelo que, por muito que lhe custe, tem de assumir como sobretudo seu, este erro clamoroso de o ter mantido.

No final do jogo contra o Congo, para mim, tudo estava explicado e, neste blog, pedi a substituição imediata de Martinez. Metia-se pelos olhos dentro, a incapacidade de tomar decisões difíceis, manifestada através de uma clara subserviência a CR e outras estrelas, exauridas por uma época desportiva altamente desgastante. O jogo com o Uzbequistão, equipa demasiado frágil, veio animar falaciosamente as hostes, tendo o jogo contra a Colômbia a quem tínhamos de ganhar para, vencendo o grupo, ter um caminho mais acessível, sido a confirmação de que Martinez era liderado pelos jogadores (CR, particularmente). Croácia deu-nos a alegria de uma vitória sofrida, através de um Ramos a reclamar minutos e, veio a Espanha, reconfirmando a apatia ou teimosia de Martinez que nunca ousou. Qual a surpresa da eliminação?

Não vale a pena dizer muito mais, mas não termino sem uma palavra final sobre CR, um jogador fabuloso que virou lenda, um nome conhecido, respeitado e repetido nos 4 cantos do mundo, em que qualquer português consegue de imediato “quebrar qualquer gelo de conversa”, ao pronunciar Cristiano Ronaldo. A lenda persiste quaisquer que sejam hoje as suas exibições, mas a imagem do jogador deveria ter sido acima de tudo preservada e Martinez não teve esse cuidado. A eliminação não foi obviamente culpa de CR, mas de todo um coletivo (Presidente da FPF, treinador e, claro, também dos jogadores) que não soube corresponder ao legitimamente exigível a um plantel absolutamente extraordinário. Venha então Jorge Jesus.

Apontamentos 

1. Falemos claro: a exibição contra o Flamengo não animou a malta. Para além da mais do que esperada falta de ritmo, em que ao defrontar uma equipa que (1) é referência no Brasil, (2) até leva adeptos a encher o Estádio do Algarve e que (3) está a meio da sua época desportiva, só tornou notório o atraso da nossa preparação, o mais grave é que temos vários jogadores demasiado vulgares, pelo que é uma evidência que continuam a faltar jogadores daqueles que fazem a diferença (os que estão no Mundial, mas não só) se quisermos disputar o título nacional. No imediato e para enfrentar o St. Gallen, é altamente preocupante irmos jogar, tudo leva a crer, sem os que estiveram no Mundial, porque estamos a arriscar a presença na Europa. Lá está o que há muito refiro… planeamento mal efetuado!

2. Se há coisa que profundamente me aborrece nos jogos de futebol são os lamentáveis espetáculos de pirotecnia em que somos useiros e vezeiros na Luz. As claques levam os artefactos para dentro do Estádio e, quando lhes apetece, lá vai disto, quantas vezes até prejudicando o ritmo do jogo. Culpa de quem? Da Administração, ponto final. Assim, nada surpreende o castigo e interdição de 1 jogo há muito anunciado. Dito isto, também tenho de perguntar: só nós? Cadê os outros? Porque os nossos adversários também se esforçam e bem por brilhar nestas matérias. Será que a resposta é mesmo aquela óbvia que se mete pelos olhos dentro? Somos “bombo de festa” para os órgãos diretivos da Liga e FPF? Não mudemos o “status quo, não “…

3. Acho que todos conhecemos o nome: Gustavo Correia, árbitro do nosso jogo em Famalicão, agora repreendido por acusação falsa a Mário Branco com base em imagens de videovigilância (versão corroborada na íntegra pelo Delegado João Ledo, segundo notícias que li). Errar nos jogos, é até compreensível na maior parte dos casos - só não erra quem não faz! Agora, escrever relatórios com base em “achismo” é demasiado grave. A minha pergunta é simples: vão ambos continuar em funções?

Manuel Boto - Sócio 2.794