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O futebol tem de levar uma grande volta!

O futebol tem de levar uma grande volta!

Nas vésperas do jogo em St. Gallen, Rui Costa lembrou-se de fazer uma intervenção verdadeiramente premonitória sobre o descalabro que foi a exibição neste jogo contra uma equipa voluntariosa, mas claramente de uma terceira divisão europeia. Imaginem que reconheceu, candidamente, que a equipa do Benfica irá sofrer significativas mudanças nas semanas mais próximas, por estas ou outras palavras. Assim, de uma penada, passou guia de marcha a uns quantos que iam jogar, para além de confessar publicamente que o planeamento da pré-época foi inexistente ou quase.

Pessoalmente, depois do que vi nestes jogos de pré-época, culminando nesta derrota tão achincalhante quanto merecida, eu classificaria mesmo o Departamento de Futebol como um autêntico desastre. As poucas aquisições que ousou fazer pouco ou nada demonstram, as lacunas no plantel são gritantes, a defesa (com guarda-redes incluído) comete erros de palmatória, o miolo que reconheçamos como remendado face às ausências dos mundialistas nem ao St. Gallen se impõe e o ataque é praticamente inofensivo.

Reconhecemos que temos uns 5 jogadores, teoricamente titulares, a regressar do Mundial - Aursnes, Rios, Lukebakio, Araújo e Schjelderup, além de Prestianni que se encontra castigado (admitindo que todos regressam – o que não é nada linear), e ficamos animados porque a equipa só pode melhorar. Mas, passado o entusiasmo e refletindo melhor, ficamos a pensar se a maioria destes jogadores que se mostraram em St. Gallen servirão para completar os que regressam e, sobretudo, se têm um mínimo de categoria para envergar a nossa camisola. 

A conclusão parece clara: tudo balanceado, isto tem de levar uma grande volta e como de ano para ano os sinais dados em cada início de época são cada vez piores, o problema é obviamente estrutural por incapacidade de planear estrategicamente. Quando assim é, a responsabilidade parece clara e aponta num único sentido: Direção do Clube e Administração da SAD. Esta, apesar de ter sido eleita nem há um ano por uma clara maioria numa votação maciça e histórica, tem obrigatoriamente de refletir se considera ter condições para liderar as necessárias alterações. Eu, pessoalmente, defendo há muito a mudança e por isso integrei nestas eleições a lista de Mayer. Reconheço que o momento que vivemos, no meio de uma janela de transferências a terminar em finais de agosto, não é de todo propício à demissão com o consequente processo eleitoral, mas, ao menos reflitam urgentemente e se considerarem que sim, que têm condições para, no imediato, dar a volta a este momento desgraçado, Rui Costa tem absolutamente de identificar com quem. Porque uma coisa é certa: com estes dirigentes, chegámos a esta miséria, a esta anarquia que nada augura de bom.

PS. Apesar do que disse, acredito piamente que, na Luz, eliminaremos este St. Gallen, sendo a minha crença fundada na certeza de que será impossível jogarmos tão mal como na 1ª mão e isso será suficiente.

Manuel Boto - Sócio nº 2.794.