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Um UNUM que pode desunir

Um UNUM que pode desunir

Quando se pensava que tudo estava numa calmaria profunda entre os benfiquistas confiantes em Marco Silva e com as atenções viradas para a Seleção, eis senão quando 33 personalidades a quem a comunicação social apelidou de “notáveis” e onde pontificam figuras gradas como um dos míticos de sempre - António Simões, antigos candidatos – Francisco Benitez e Manuel Santos Vítor, um putativo candidato – Mauro Xavier, um do melhores diretores de comunicação que o Benfica jamais teve, senão  o melhor – João Gabriel, um antigo dirigente saído da lista de Rui Costa – Luís Mendes, figuras da política – Adalberto Santos Fernandes, Carlos Lobo, José Eduardo Martins, entre outros, decidiram unir-se para, alegadamente, “refletir” o Clube.

Estando as eleições agendadas apenas para daqui a 3 anos, eu, como benfiquista, pergunto-me o que terá motivado estes 33 designados “notáveis” para terem montado justamente agora este Grupo de reflexão que mais parece um “albergue espanhol”, tantas as tendências e visões divergentes que por ali se uniram, aparentemente com um único desiderato – apear Rui Costa e a sua equipa, tão depressa quanto possível, quiçá já no final desta época.

Tenho sido altamente crítico de Rui Costa e da sua Direção, quer ao longo deste mandato, quer do anterior e pertenci à lista de Martim Lima Mayer por acreditar que o Benfica bem precisa de rejuvenescer mentalidades com novas gentes e ideias na sua Direção. Figuras bem conhecidas da “entourage” atual, quando me veem não perdem a oportunidade de me dar umas valentes alfinetadas a que respondo com um sorriso e votos de desejar nada ter para dizer - o que significaria que a Gestão atual estava a ter incontestáveis sucessos, afinal o que todos ansiamos. Portanto, serei sempre um acérrimo defensor da crítica e tenho ouvido com a máxima atenção as muitas que têm sido feitas por diversas figuras, algumas deste UNUM, concordando aqui e discordando ali, como é apanágio benfiquista.

Assim, considero absolutamente legítima a criação deste UNUM, porque a democracia da qual nos orgulhamos de sempre existir no nosso Clube é fator de união entre todos. Se o timing é oportuno? Aqui tenho fortes dúvidas e fico com a certeza de que o debate atual e consequências que a sua criação extemporânea suscita só prejudica a estabilidade necessária para os nossos sucessos, numa época a que já estamos a 5 pontos. Já não nos basta termos de nos haver com a FPF e Proença, com as arbitragens e com os rivais (uns até que nos consideram “inimigos” transformando oficialmente o futebol em guerras), agora também temos internamente um UNUM que organizadamente pretende ocupar um vazio de oposição, o que seria indiscutivelmente salutar se navegássemos “à bolina”, mas também aí não haveria “combustível” para se auto-alimentar.

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos, sobretudo verificar se não estamos no embrião da oficialização da candidatura de Mauro Xavier que certamente virá a reclamar ter tantos apoios relevantes. Pessoalmente, penso diferente, pelos “timings” e oportunidade. Creio que, no seu próprio interesse, teria sido preferível a Mauro Xavier continuar sozinho a fazer o seu caminho, defendendo as suas ideias (muitas absolutamente excelentes), aliás como vinha fazendo e bem (tal como Manteigas). A integração no UNUM poderá revelar-se, com o tempo, numa atitude genial demonstrativa de uma premonição invulgar ou num precipitado “tiro no pé”.

PS – Sobre a Seleção, aqui temos uma completamente desnecessária telenovela mexicana, com atores de muito fraco nível enquanto líderes. O génio de CR ficou num passado que pretendeu prolongar até ao irrazoável como a idade demonstra e o ego cega, a FPF que sempre viu nele a “galinha dos ovos de ouro” está desnorteada porque os seus líderes formatados em arbitragens não fazem ideia de como se lideram grupos e muito menos egos e, delirante, a comunicação social explora vorazmente esta tristeza até à exaustão, convicta de ter “share” sem perceber que o que é demais também satura. A estrondosa vitória de ontem na Dinamarca (4-2) vem recolocar este folhetim onde interessa – nos sucessos da Seleção que a todos deveria unir.

A carreira ímpar de CR, a genialidade futebolística de 2 décadas de uma figura maior do futebol internacional de sempre, mereceria uma saída apoteótica com uma nação unida a aplaudir e jamais estes tristes episódios de “faca e alguidar” que constituem nódoas absolutamente desnecessárias e onde muitos mais além de CR têm muitíssimas culpas.

Manuel Boto – Sócio 2.794