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Um líder e um chefe!

Um lider e um chefe!

1. O desafio contra o Omonia trouxe um Benfica de rostos diferentes, mas sob um padrão inequívoco de modelo de jogo, qual selo de Marco Silva (MS), e que permite sedimentar rotinas fundamentais para se consolidar uma equipa. Dito isto, concordemos que o resultado foi bem melhor do que a exibição, pelo menos durante uns 60 minutos.

Entrando com uma equipa algo mista entre experiência competitiva e alguns jogadores sem grande ritmo de jogo, MS deu ao plantel a certeza de que todos contam e podem continuar a lutar porque as oportunidades surgirão. Depois de Sudakov que tem apoiado incondicionalmente, o exemplo mais recente e paradigmático do que afirmo é o de Manu que continua a tentar readquirir a condição física indispensável para dar consistência à qualidade competitiva que possui – vidé o passe para a desmarcação de Aursnes que originou o 1º golo. Outros, como Echeverri, Circati ou El Karouani estão mesmo a precisar de muitos minutos como “pão para a boca” para conseguirem explodir. Ao invés, Rafa tem de refletir sobre a sua concentração competitiva ou estará a sentir que o seu tempo passou?

Ficando na memória as últimas imagens, sobretudo a arrancada fantástica de Lukebakio a deixar sentada toda a equipa do Omonia, parece que tudo foram rosas contra um adversário de elevadas carências competitivas, o que está longe de ser verdade. De facto, este Benfica demonstrou, até por demasiadas vezes, que no aspeto defensivo e na concentração competitiva ainda temos muito a melhorar – o golo deles é o exemplo de como se pode “estar na praia” (excelentes as praias cipriotas, ao que me contam!) dentro de um campo de futebol na alta competição. Doa a quem doer, estas atitudes de complacência, tipo “desligar”, têm de ser cerceadas por MS ou os desgostos ir-se-ão acumular, até aqui na bola indígena.

MS sabe isso melhor do que ninguém e o que aqui escrevo, apenas é o leigo a corroborar o que pensará o líder catedrático. Para já siga, porque temos 9 pontos, estamos na frente na Liga Europa, a perspetiva de ficarmos nos 8 primeiros cimenta-se e… venha o Santa Clara, equipa sempre difícil, “chata” mesmo, sob a batuta de uma grande Petit e com um Paciência que nos pode moer a paciência.

2. Proença é indiscutivelmente uma pessoa que tem a habilidade, digamos assim, de conseguir fazer “amigos”, uns mais “assim” (certamente entre os árbitros que finalmente se alcandoraram a lugares que nunca deveriam ter, por questões de princípio) e a maioria mais “assado”. Como exemplos, conseguiu que (i) Fernando Gomes estivesse em 2025 contra ele na nomeação para um cargo na Comissão Executiva na UEFA, (ii) Rui Costa (RC) o apoiasse na eleição para a Presidência da FPF em detrimento de Nuno Lobo, ao invés do que a esmagadora maioria dos benfiquistas pensava; hoje, até acredito que RC já esteja profundamente arrependido, por tudo o que desde há muito se vem passando dentro das 4 linhas.

A demonstrar a forma inconstante como Proença por vezes lida com pessoas, vou citar 2 exemplos bem recentes e muito distintos, em circunstâncias perfeitamente díspares.

(1) Há dias, todos lemos umas declarações de Rui Jorge, antigo jogador e Selecionador da equipa de sub-21 durante 14 anos e recentemente substituído por Luis Freire. Nesta entrevista, queixou-se amargamente da forma que considerou altamente incorreta como o Presidente da FPF o despediu ao fim de tanto tempo. Pelo que afirma (e não vi ou li qualquer desmentido até agora) só lhe podemos dar razão, mas acrescento: alguma surpresa? Um comportamento de “chefe”, ao estilo “quero, posso e mando”, jamais de um líder que conseguiria precisamente o mesmo objetivo, através do respeito que Rui Jorge mereceria.

(2) Ao invés, nestas últimas semanas, Proença, quiçá por razões financeiras de patrocínios à FPF, desdobra-se a tentar a aproximação entre CR e Jesus, auxiliado por uma decisão absolutamente surpreendente do Conselho de Disciplina que puniu o prevaricador CR em apenas 30 dias de suspensão (e uns irrisórios 255 euros de multa – de tão ridículo que nas redes sociais até já se fazem peditórios para o ajudar a pagar!). As suas declarações na tentativa de conciliação são absolutamente inacreditáveis, roçando a humilhação para um Presidente da FPF que coloca tudo e todos, na prática também Jesus, ao serviço de CR e dos seus caprichos. Isto tem tudo para correr mal, mas depois certamente dirá “fiz tudo o que foi possível”, ao que eu acrescentaria – exceto exercer a liderança, que lhe exigiria outro tipo de comportamento.

Manuel Boto – Sócio nº 2.794 (antes da renumeração)