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Tristes e inesquecíveis episódios

 Tristes e inesquecíveis episódios 

1. Fim da novela! Finalmente, com a eleição de Florentino Pérez no Real Madrid, o Benfica fica livre deste triste e lamentável jugo a que se deixou submeter pela dupla Mendes/Mourinho e pôde anunciar oficialmente o seu novo treinador - Marco Silva, por acaso também representado por Mendes (cada coincidência…!). 

O comunicado ao mercado é claro em todos os aspetos, ao referir (i) que “o Real Madrid formalizou a intenção de contratar Mourinho pelo valor de 15 M euros, correspondente à cláusula de rescisão…”, bem como (ii) ao não referir o como é quando será pago o valor. Como naïf que sou, vejam lá que eu imaginei que, com esta novela que se arrasta há semanas, a Administração da Benfica SAD só libertaria Mourinho com o dinheirinho na mão, afinal desde sempre a razão pela qual aceitámos esta humilhação de não sermos donos das nossas decisões, mas parece que ficou feliz com a promessa do Real Madrid. Esperemos que Florentino não se fique pelas intenções e escudado num qualquer estratagema legal, ainda nos explique que afinal ainda seremos nós a ter de pagar…

Defendi múltiplas vezes neste blog a continuidade de Mourinho para 26/27, porque me parecia e continuo convicto que seria a pessoa certa para fazer o que há muito falta ao Benfica: um plano estratégico. Não mudei de opinião, mas as circunstâncias ditaram um afastamento progressivo que não se justifica recordar, porque seria exercício inútil e repetitivo. 

Venha então Marco Silva, após uma década no exterior (Inglaterra), hoje com muito mais traquejo do que quando treinou o Sporting. Para além das suas qualidades futebolísticas e de liderança, será necessário um qualquer novo plano estratégico para os próximos anos, onde terá de existir um capítulo da total responsabilidade da Direção: relações institucionais! Não podemos ser “anjinhos” em terras de predadores. Mourinho bem o disse, à laia de recado: o meu Benfica do Seixal é fantástico, mas não chega (como se viu e bem no último campeonato). Portanto, “mãos-à-obra”, todos - Rui Costa, Administração, Marco Silva e Sócios/Adeptos. “E pluribus unum”!

2. Consumou-se a proposta de distribuição de receitas na centralização de direitos, aprovada por 80% dos clubes em reunião da Liga. O Benfica votou contra, como era expectável, bem como os outros que, inspirados no Nacional, ainda pretendiam uma fórmula bem mais equitativa, a tramar ainda mais os 3 grandes. Sporting e Porto terão votado a favor, apesar de perderem receita, mas como o Benfica perde mais, certamente estarão felizes. 

Se a venda dos direitos de transmissão valesse alguma coisa sem os 3 grandes, eu ainda entenderia, mas a realidade é clara: 90% ou mais das audiências televisivas têm um dos 3 grandes e os outros, são vistos em igual proporção às assistências nos estádios. Assim, sem a obrigatória reformulação dos quadros competitivos, com a redução de equipas nos campeonatos profissionais, confesso que fico confundido como os 3 grandes não estão todos do mesmo lado da barricada. Resta ao Benfica a via judicial, se o périplo pela Assembleia da República se tiver revelado ineficaz.

3. Este fim de semana vi um dos melhores jogos de andebol (a “minha” modalidade) dos últimos anos - a final da Taça de Portugal entre Benfica e Sporting. Um daqueles jogos que quando acaba, ficámos com a sensação de que ambos mereciam ganhar. Calhou o Sporting, pelo traquejo que lhe advém de muitos jogos internacionais e perdeu o Benfica, tenrinho nos momentos cruciais sobretudo no prolongamento (num jogo destes choca-me falar de arbitragem, mas o livre de 9 metros transformado em 7 metros aos 59’ 55” e que deu o empate a 35, não esqueço).

Por onde andou este Benfica toda a época? Uma pergunta que fica sem resposta, após um 3 lugar descoroçoante no campeonato. Alguns bons jogos, como este é contra o FC Porto não apagaram a imagem que algumas goleadas sofridas (e inadmissíveis) nos marcaram, sobretudo contra Sporting e FC Porto. Nestes jogos, múltiplas vezes incompreendi a insistência do 7x6 com que o treinador persistia, num tudo ou nada que apenas servia para os adversários alargarem vantagens conquistadas.

Tive muita pena de não termos ganho esta Taça porque a equipa e treinador bem mereceriam. Mas não conseguimos e a grande questão será: “quo vadis, andebol do Benfica? Anunciam-se revoluções no plantel e treinador, há saídas - Capdeville e Cavalcanti - que não percebo para quem quer construir um grande plantel. Se baixarem o Orçamento, é inequívoco que apenas faremos figura de corpo presente e, se for para isso, se a ideia é poupar nas modalidades, nesta e nas outras, então haja coragem para se fazer uma grande reflexão, com os Sócios, sobre quais as modalidades que queremos.

Manuel Boto (Sócio 2.794)