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Nem Portugal nos alegra...

Nem Portugal nos alegra….

1. Em tempos de defeso e com um Mundial a atrair as atenções das multidões em todo o mundo, Portugal estreou-se a fazer uma triste figura contra a Seleção do RD Congo (FIFA #46). Assim, não surpreende que as notícias sobre o Benfica sejam parcas e, infelizmente, basicamente especulativas sobre aquisições que tardam em se confirmar.

Nos entretantos, Rui Costa finalmente falou, dando uma boa entrevista e, beneficiando de não terem sido feitas perguntas embaraçosas, teve a arte de despachar os jornalistas com mestria. Se espremermos a entrevista, ficámos a saber mesmo muito pouco, nem sequer quando iremos receber os famosos 15 M euros, que eu julgaria essenciais para se libertar Mourinho. Mesmo sem dinheiros, dizem-me existirem papéis assinados e pronto, ficamos todos felizes com Marco Silva sobre quem deposito fortes esperanças.

Durante a entrevista, Rui Costa referiu que durante o “intermezzo” que durou o folhetim Mourinho, a estrutura do Benfica esteve a trabalhar! Vamos acreditar que sim, porque sinceramente, tirando a venda (com possibilidade de recompra) de Gonçalo Oliveira ao Rennes (3,5 M euros, diz-se), ninguém deu por esse trabalho. Marco Silva já chegou, entretanto, e continuamos “sem novas nem mandados”. Como não quero ser “chato”, deixemos então a estrutura a trabalhar, sem esquecer que (i) é já a 25 de junho que os treinos começam, (ii) as lacunas no plantel são gritantes, (iii) as incertezas sobre quem sai ou fica ainda maiores, mas com a fezada no Benfica se sobrepõe à realidade, ninguém pode duvidar que tudo “vai correr bem”.

2. As (ditas) amadoras (masculinas) estão as jogar as finais e, tirando o andebol onde antes de começar a época já sabíamos que iríamos lutar pelo 2º lugar (Fernando Tavares dixit – mas falhou por um - fomos 3º), a realidade é que nas principais estamos em todas (e não podemos esquecer que no rugby fomos campeões ao fim de 25 anos). No basket falhámos o penta, depois de um jogo na Luz muito mal perdido, soçobrando no Porto (1-3 em jogos). No voleibol, fomos esmagados por 3-0 pelo Sporting e ruiu tudo, a começar no treinador já substituído. No futsal estamos a disputar a final contra o Sporting, mas os últimos 2-8 no João Rocha não são nada animadores (1-1, à melhor de 3). Finalmente, o hóquei “animou a malta” ao ganhar ao Sporting por 5-2 no João Rocha, dando alento este 2-0 com que estamos na final.

Pelos valores dos orçamentos com que anualmente somos confrontados, investimento (ou gasto) é coisa que não falta. A previsão de 25/26 aponta para um dispêndio de 21,7 M euros (valor líquido de receitas de 5,1 M euros), cerca de 1,1 M euros acima do Orçamento e para 26/27, a Direção reforçou para 22,5 M euros (líquido de receitas de 5,1 M euros). Como já referi acima, dinheiro não falta, mas os sucessos não são proporcionais. Assim, a pergunta tem de ser feita - porquê?

A resposta para mim é simples: amadorismo diretivo ou, por outras palavras, escasseia a competência nesta área, que já tivemos em anos anteriores e nos permitiu ser dominadores. Sei que não se pode ganhar sempre, mas como a concorrência não dorme deveríamos procurar começar por ter os melhores dirigentes – aqueles que realmente percebem de cada modalidade, indiscutivelmente os caboucos das vitórias. Esta a urgente análise que tem de ser feita, perceber porque tanto se falhou e… recomeçar. Estar nas finais é importante, significa muito trabalho (quase) bem feito, mas como no Benfica, ganhar é tudo, claramente não chegou (ressalvo o hóquei!).

3. Claro que tenho de abordar o tema da Seleção e o (malfadado) jogo contra a RD Congo. Ainda estamos demasiado em cima do desapontamento e tentar refletir sobre o que se passou enferma sempre de um sentimento de frustração que dificulta qualquer análise objetiva. Mas, quero dizer que não foi surpresa para mim – o ar que se respirava na Seleção era de soberba (em que passeios na praia eram encarados como absolutamente naturais) motivada por uma convicção doentia que o mínimo dos mínimos era chegar às meias-finais (Proença dixit). Daqui até ao título mundial era um passinho para uma Seleção recheada de craques…

A realidade do jogo de ontem veio demonstrar a fraqueza psicológica desta Seleção – onde se misturou a falta de forma de jogadores cruciais com uma liderança de um “diplomata” (Martinez), absolutamente incapaz de dar um “murro na mesa”, leia-se, de meter a jogar (i) quem está em melhores condições físicas e (ii) quem tem fome de bola. Assim, vemos que CR7 tem assinatura garantida e aposto “singelo contra dobrado” que jogará a titular contra o teoricamente frágil Uzbequistão (FIFA #50) na busca do tal golo ou golos que lhe permita igualar ou ultrapassar em 6 mundiais o que Eusébio conseguiu num único. Como também vemos que vários outros, como Bernardo Silva ou Vitinha, estão muito, mas muito longe da condição física que há semanas evidenciavam. Mudar de Selecionador era urgente, mesmo antes do jogo com o Uzbequistão, porque este comprovadamente não é capaz de aproveitar a matéria-prima que tem à disposição, mas para isso teríamos de ter um Proença capaz de tomar decisões drásticas a meio da prova. Acreditam? Eu também não e a partir daqui espero tudo e nada, ou seja, qualquer prestação é possível – mas quero deixar bem claro que continuo a ver os jogos da Seleção com a camisola (literalmente) vestida, desejando ardentemente uma boa ou excelente campanha da Seleção, APESAR de Martinez.

Manuel Boto - Sócio nº 2.794