Este Benfica legitima todas as esperanças…
Mais 2 jogos, mais 2 vitórias das que nos fazem sonhar. Se no Marítimo (0-3) talvez o resultado até tenha sido melhor do que a exibição (aquele início da 2ª parte deixou-nos apreensivos na altura), ontem, em Moreira de Cónegos (0-4), quando o jogo terminou ficámos literalmente com pena de não ter durado mais uns (largos) minutos, tal a qualidade exibicional que nos foi proporcionada durante a maior parte do jogo. Se no Marítimo a qualidade do nosso futebol também foi altamente prejudicada por um campo que deveria estar interdito para jogos de divisões profissionais, ontem, nem o mau estado do relvado impediu o brilhantismo da nossa exibição.
Ficámos a sonhar, isso é indiscutível. Depois do jogo contra o Gil Vicente (que no ano passado vencemos por muita sorte e de forma até imerecida) em que legitimamente esperamos a confirmação das recentes exibições e uma vitória indiscutível, espera-nos a verdadeira “prova dos nove” ao defrontarmos o Milão e o FC Porto, em jogos forasteiros com apenas 4 dias de diferença. Este plantel, que hoje possui tantas soluções, permite rotações de alguns jogadores, mesmo os nucleares e leva-nos a acreditar que temos “cabedal” para todas as competições. Ou seja, acredito que Marco Silva (MS) faça uma gestão inteligente dos jogadores por forma a chegarmos ao Dragão na máxima força, talvez o jogo mais importante desta fase da época.
Pelas notícias que vamos lendo, parece inequívoco que o FC Porto estará a “meter todas as fichas” neste clássico, tentando a recuperação de todos os seus jogadores, particularmente os lesionados, por forma a defrontar o Benfica com todos os titulares, beneficiando até de uma semana de descanso que o sorteio da Champions lhe proporcionou. Resta-nos fazer o mesmo porque ficar a 5 pontos logo à 7ª jornada seria forte machadada nas nossas aspirações ao 39. A Liga Europa é indiscutivelmente muito importante, como já o anunciou MS que a quer conquistar, mas a realidade é que teremos mais 7 jogos para recuperar algum ponto que eventualmente possamos perder em Milão – tendo eu, contudo, a certeza de que MS procurará a vitória contra a equipa de Amorim, como sempre muito bem preparada fisicamente, mas com algumas lacunas enquanto conjunto.
Não mudei as minhas ideias sobre as lacunas do plantel e espero, sinceramente, que o futuro não me dê razão. Aguardemos então os próximos embates, mas reconheçamos que, nestes entretantos, MS nos deu o direito a sonhar. Pela alegria do seu/nosso futebol com uma capacidade de criar oportunidades em resultado de um modelo alegre e variado (com demasiadas oportunidades falhadas – bem verdade), pela forma com gere o balneário em que se nota uma união no campo que alimenta a nossa confiança e, “last but nor least” com uma comunicação que transmite a certeza de que sabe o que está a fazer. Veremos se a sorte protege os audazes, porque MS bem o merece.
Apontamentos
(i) Uma tristeza ver que na final da Supertaça feminina em que ganhámos com
brilhantismo (5-1), as jogadoras do FC Porto não tivessem retribuído no final “as
alas” com que a equipa do Benfica as homenageou. As atitudes ficam com quem as
pratica, mas não deixa de ser lamentável.
(ii) A Benfica SAD publicou as suas Contas anuais de 2025/26, apresentando um lucro de cerca de 19 M€. Se um lucro me deixa sempre satisfeito (até porque sou um muito pequeno acionista!), de uma análise muito breve que fiz, fiquei a saber que:
- os resultados positivos
de transações com direitos de atletas foram de 99,3 M€ (Nota 20 do Anexo),
o que significa que a estrutura “comeu” cerca de 80 M€ destes lucros, realidade altamente preocupante, até porque se compararmos com 2024/25, a
estrutura apenas tinha “comido” cerca de 54 M€! Assim, integrados num
mercado global de procura de talentos, a competir com verdadeiros colossos
que não têm dificuldades financeiras, não surpreende a necessidade que temos
de vender jogadores como forma de equilibrar as finanças e o resultado é
que se entra num “círculo vicioso” e não se consolida uma grande equipa de
futebol.
- o passivo já vai nos
513,9 M€ (2024/25 era de 474,9 M€), e não fico menos preocupado. Claro que já me disseram que o ativo já vai nos 649 M€ (591 M€ em 2024/25) e, por isso,
não tenho razão; no entanto, é uma alegria que não comungo, até porque
muito deste ativo, particularmente o tangível (84,9 M€) não se afigura
como realizável para liquidar o passivo e o intangível é representado por
direitos de atletas (163,9 M€) e outros (48,5 M€), em que estes igualmente
não contam para amortizar o passivo.
- adicionalmente, a corroborar as minhas preocupações, quando olho para o fundo de maneio, vejo que, por sinal, é negativo, dado que o
passivo corrente (260 M€) excede o ativo corrente (155 M€) em 105 M€ (em
2024/25 esta diferença era de 119 M€), o que indiscutivelmente dificulta o dia-a-dia da
tesouraria…
- as remunerações dos órgãos
sociais, sem considerar os encargos sociais, subiram de 576 mil€ em 2024/25
para 858 mil€ (Nota 18 do Anexo), afinal coisa pouca, cerca de 49%, sobretudo com
variáveis a subirem de 75 mil€ para 160 mil€ – sem títulos dos quais nos
possamos orgulhar, alguém me explica como se justifica?
Fico sinceramente muito pensativo … com a única certeza
de que “nem tudo o que luz é ouro”!
Manuel Boto – Sócio nº 2.794