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Apuramento conseguido, será que haverá saídas de última hora?

Apuramento conseguido, será que haverá saídas de última hora?

Começo a escrever estas linhas ANTES do jogo com o Aahrus que se irá disputar daqui a umas 3 horas. Os últimos dias têm trazido novidades na construção da equipa de futebol e quero regozijar-me pelo que acredito serem duas contratações de muito valor – Circati e Palhinha, ambas para o eixo central, dois jogadores que vêm trazer poder físico e altura a uma equipa que estava permeável na disputa de lances aéreos. Embora tarde, felizmente que ainda vieram em boas horas, até porque o Benfica já luta em 2 frentes: (i) apuramento para a Liga Europa e, (ii) compete na Liga Portuguesa, onde já cedemos um empate contra um generoso Viseu por mais do que evidentes culpas próprias, quer a finalizar quer a defender.

Tenho criticado duramente a Direção/Administração pelo que considero ser os inexplicáveis atrasos nas contratações de reforços, cimentada a minha crítica nas promessas do Presidente Rui Costa que vinha falando em múltiplas entradas e/ou saídas, sem que o comum dos Sócios vislumbrasse qualquer jogador que nos entusiasmasse. Com estas 2 contratações fico indiscutivelmente mais tranquilo, embora acredite que ainda precisamos de um guarda-redes que seja sólido e faça a diferença nos jogos mais difíceis que teremos pela frente (pessoalmente acredito que o lituano Voitinovicius seja a solução, mas precisamos de saber e isso só se consegue apostando nele) bem como de laterais, embora estes últimos 2 reforços centrais possam ajudar no problema das laterais, por exemplo mudando para um 3.4.3 ou até 3.5.2. Sobre as saídas e nomes que se falam, tenho há muito um especial apreço por Rios que estou convencido ser um belíssimo jogador e não gostaria de ver sair, apesar de “experts” o criticarem por indisciplina tática e até técnica.

Em suma, parece indiscutível que Marco Silva (MS) tem hoje um melhor plantel do que há escassas semanas, porque estas duas aquisições são das que acredito que fazem a diferença. Se será este o plantel quando acabar a janela de transferências, nem ideia (e, se calhar, MS também não), mas que nos dá esperanças, é indiscutível. Antes deste jogo contra o Aahrus, saliento ainda que, em boa hora, MS expressou de forma clara o nível de exigência que requer para a nossa equipa ao reivindicar que tem de melhorar e muito. Palavras mais do que oportunas, porque andam muitos inebriados com as sucessivas vagas goleadoras, mas as debilidades defensivas também começam na frente…

Vamos lá aguardar mais umas escassas horas pelo jogo contra o Aahrus.

Acabou o jogo, deixei passar umas horas para refletir e, supersatisfeito pelo resultado que nos deu a ansiada qualificação após 6 jogos que nos trouxeram instabilidade emocional e sobrecarga física, estamos onde merecemos – na fase de grupos da liga Europa. Um jogo com vitória mais do que justa, que proporcionou momentos bem agradáveis (salve Prestianni!) e outros a confirmar que a defesa precisa dos tais retoques que há muito reclamamos, não apenas pelo golo a refletir a displicência no passe do Tomás Araújo e a incapacidade de Sudakov lutas pela posse da bola, mas também por diversos sobressaltos resultantes da falta de categoria de alguns jogadores. Acreditemos que vai melhorar!

Dos comentários que vou lendo nas redes sociais, constato que Sudakov é literalmente o “patinho feio” para os Sócios e adeptos. Longe de ter jogado bem, ao menos poderiam reconhecer o esforço que fez todo o tempo de jogo e a qualidade de posse de bola com estatísticas acima do razoável – mas nem isso. As críticas que tenho lido ultrapassam em muito o razoável, na realidade crucificam-no cruelmente, esquecendo que quem decide é MS e, se joga a titular, é por decisão deste. Claramente em crise de confiança, MS decidiu, face ao que reconhece ser o potencial do jogador, conceder-lhe as oportunidades que entende – que, objetivamente, Sudakov não tem aproveitado para nos convencer. MS até agora tem tido margem para estas experiências, mas a exigência crescente dos jogos dirá até quando e será ele unicamente a decidir – merecendo indiscutivelmente esse crédito pelas promessas exibicionais que a equipa nos tem proporcionado, muito superiores à maioria dos jogos do ano passado.

Vem aí o Estoril já na 2ª fª e só a vitória conta, porque para brindes chegou o jogo com o Viseu. Constatei que MS, neste jogo na Dinamarca, insistiu demasiado tempo no 11 inicial, certamente preocupado com rotinas de jogo, substituindo apenas no que considero ser um pouco tardiamente os jogadores que têm sido titulares (dada a eliminatória estar resolvida). Assim, espero que estes consigam a necessária recuperação física ou, então, que MS promova a necessária rotação contra uma equipa que no passado nos deu dissabores e/ou jogos bem difíceis.

Logo a seguir, termina a “janela” das transferências na maioria dos países e aí veremos qual será o plantel com que ficamos. Relembro aos nossos dirigentes que este ano é demasiado importante, porque a escassez de títulos perdura há demasiado tempo e não nos queremos habituar a esta penúria. Para tal, a qualidade homogénea do plantel é fundamental e, como se costuma dizer, “até ao lavar dos cestos é vindima”. Assim, tenho justificado receio de sermos confrontados com surpresas negativas (saídas) de última hora, tal a qualidade exibicional de alguns dos nossos jogadores nestes jogos da Liga Europa. Aguardemos porque de uma coisa tenho a certeza: não é com cofres cheios que se ganham títulos – a nossa riqueza (e esperança) está dentro das 4 linhas!

Manuel Boto – Sócio nº 2.794