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Agora? Só um milagre...

Agora? Só um milagre….

E pronto… Consumaram-se os piores receios de todos os adeptos benfiquistas! Um empate arrancado a ferros nos últimos segundos do jogo contra o Braga, deixa-nos novamente à mercê de terceiros para atingirmos o objetivo de chegar à Champions. A desilusão foi forte porque sempre se teve a esperança de que iríamos conseguir o “milagre” (como Mourinho o definiu) de chegarmos ao 2º lugar. Perante a arbitragem de Famalicão a acrescer a tantas outras do campeonato que inquinaram a verdade desportiva, compreendemos bem o estado de espírito dos jogadores e treinador na abordagem a este jogo, indiscutivelmente o mais decisivo para atingir o desiderato dos milhões da Champions.

Se os nervos estavam à flor da pele, o golo anulado aos 3 minutos por 4 cm (com linhas de frame muito duvidosas) e dois cantos que o árbitro transformou em pontapé de baliza, indiscutivelmente mexeram com o estado de espírito dos jogadores, arreigando a convicção de que o campo estaria inclinado. Mesmo assim, muita luta, um Schjelderup a empurrar a equipa para a frente, mas não se concretizava. O intervalo chegou, com muito querer e pouco discernimento. Não podia começar melhor a 2ª parte com o oportuno golo de Rafa que todos pensámos que libertaria a equipa para a exibição tranquila que demonstraria a nossa superioridade. Foi só o tempo de sentarmos nas bancadas que o balde de água gelada nos foi servido a par com a chuva inclemente – o golo do empate, um misto de desconcentração e puro amadorismo, sem desmerecer a oportunidade dos atacantes adversários. Sentimos muito o golo, demorámos a recuperar o discernimento, mais um golo anulado por uma bola considerada fora pelo VAR (gostaria de ter imagens inequívocas de que a bola não “mordia” a linha de fundo), novamente o árbitro a trocar um penalti por uma falta atacante de Prestianni (apitada depois de vislumbrar o penalti) e para novamente nos gelar… Mais um ataque do Braga que a defesa não desfaz como sucedeu quase sempre e “tiro e melro” – o empate depois a manter a invencibilidade do campeonato, soube a uma das derrotas mais amargas de várias épocas. 

Mourinho leu bem o jogo na entrevista final – generoso com os seus jogadores que tudo deram, lamentou-se da ineficácia gritante que caracterizou demasiados jogos este ano. E eu pergunto: então para que serviu o mercado de janeiro se era evidente que precisávamos de um 9 goleador (e de um 6 possante?). Se Mourinho chegou em setembro com a janela fechada, que Diabo – a Direção não respondeu aos pedidos que este certamente fez? Já passou, não adiantam as lamúrias sobre o que era evidente e não foi feito – hoje, o 2º lugar precisa de um milagre maior do que o de Fátima e não acredito que os deuses se interessem por futebol. Se o 3º chega para ir à Champions, isso é questão que depende, ao que parece, do Aston Villa ganhar a Liga Europa e ficar em 4º lugar no campeonato inglês. Viva o “Aston Villa, go go go”, digo eu que até já defendi há largos anos junto da Direção na altura a vinda do Unai Emery para o Benfica.

Mas doeu mais saber que Mourinho hoje não renovaria, ao contrário do que tinha dito em março. Revela a desilusão profunda de quem sente que com esta Direção - com a enorme perda de influência nos bastidores, com a total ausência de política comunicacional, com os tostões contados pela incerteza da Champions - não vale a pena continuar. Deu a ideia, quase certeza,  de que vai para outra – provavelmente o Real Madrid que igualmente vai para eleições com um Florentino Perez talvez a usar Mourinho como trunfo eleitoral, tal como Rui Costa fez nas eleições de outubro passado. Aguardemos mais uma semana enquanto se fala com insistência no regresso de Marco Silva a Portugal, desta vez para treinar o Benfica (ao estilo de "Rei morto, Rei posto").

Os balanços fazem-se no final, mas nos entretantos, eu tenho feito diversas críticas aqui nestes textos, sobretudo nos últimos tempos, apontando pechas que reputo de graves e que começam e acabam nas hesitações e inexperiência da Administração da SAD (ou da Direção do Clube), em particular do nosso Presidente Rui Costa (relembro ter integrado a lista de Martim Mayer que finalmente reapareceu depois de se ter reprimido durante tanto tempo para não ser acusado de “instabilizador”). Voltarei ao tema que reputo de muito relevante, depois do jogo no Estoril, porque será o momento de fechar a época e nada deixar por dizer.

Manuel Boto (Sócio nº 2.794)