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E Pluribus Unum

E Puribus Unum

Passou o jogo em Famalicão e continuamos a depender de nós próprios para segurar o 2 lugar. Dito isto, recordo as palavras de Mourinho ao dizer numa muito curta declaração no final que “este jogo foi a amostragem de toda uma época, mas vamos dar tudo para conseguir o milagre do 2 lugar”.

Sábias palavras! De facto, este jogo foi (em muito) o espelho da época no que aos erros, nossos e de arbitragem, diz respeito. Mas não foi apenas isso, porque realizámos provavelmente a melhor 1a parte da época. Uma exibição segura, compacta, poderíamos ter saído ao intervalo com o jogo mais do que ganho, mas assim não foi. Nem o árbitro nem o VAR viram um pênalti daqueles em que ficamos estupefactos quando a cegueira se torna incompreensível e se confunde com total incompetência, sempre altamente dolorosa para o prejudicado, para não falar na parcimónia da amostragem de amarelos particularmente a um jogador do Famalicão que nunca teria chegado ao intervalo se as regras do jogo fossem aplicadas.

A 2a parte começou como tantas vezes, pastosa e mal jogada pelo Benfica, com os jogadores quase adormecidos pela confortável vantagem e sobretudo a clara superioridade da 1a parte. Até que veio mais um daqueles erros de Otamendi que tem demasiados para um capitão de equipa, esquecendo que o banco não tinha um central de raiz porque o plantel foi mal construído. Levou amarelo, o VAR corrigiu para vermelho, sem qualquer surpresa para o adepto. Depois? Mourinho baixou linhas, deu sinais de defender a todo o custo ao trocar Prestianni por Enzo, um central de recurso que Mourinho prefere a qualquer alternativa junior. 

Dali até ao fim, terço na mão para os adeptos crentes enquanto os ateus sofriam com receio de um qualquer ataque cardíaco, Trubin mal batido no 1-2 como sucedeu demasiadas vezes para um guarda-redes do Benfica, um canto inexistente a demonstrar a fragilidade dos centrais nas bolas paradas e o empate consumado. Pelo meio, Schjelderup já tinha saído e a entrada de Bah, explicava tudo sobre os receios de Mourinho. Com uns inusitados e muito mal explicados 15’ de tempo extra, o Benfica saiu de lá com o pontito que precisava para continuar a depender de si para o 2 lugar e Rui Costa extravasou a revolta de todo um campeonato porque quem anda (ou andou) lá dentro já “os topa de ginjeira” (tornando-se cada vez mais incompreensível o apoio dado a Proença).

No final e certamente por iniciativa superior, Schjelderup cedeu ao árbitro Gustavo Correia o prémio de melhor jogador neste jogo, como simbolismo de toda uma revolta por demasiados erros que nos prejudicaram, quer nos nossos jogos quer nos outros onde o “colinho” foi bem visível. 

Todos estamos revoltados é um facto, mas também fica demasiado fácil e sobretudo redutor atribuir a uma arbitragem tudo o que de errado aconteceu em Famalicão. Dou de barato o erro de Trubin, no sentido em que é futebol, mas a expulsão de Otamendi numa jogada “tranquila” de meio-campo, um jogador altamente experiente, é imperdoável. Sinal de fim de linha? 

Faltam Braga e Estoril fora. Com o Benfica de outrora, a aposta de que seria “canja” era de singelo contra dobrado. Com este Benfica, a confiança e a crença misturam-se, tanto quanto a 1a e 2a parte de ontem nos explicam a todos. Os momentos de crítica chegarão no final de época, mas até 17 maio, teremos de honrar o lema do Clube “E Pluribus Unum”, se quisermos ter sucesso no único desiderato que nos resta, tantas as correntes externas que nos puxam para trás.

Manuel Boto (Sócio 2794)