O FUTEBOL NACIONAL E O BENFICA NA ERA DO DESATINO
"Dependemos só de nós". Uma das frases mais repetidas no mundo do futebol e, supostamente, a duas jornadas do fim, aplicável à situação do Benfica relativamente à conquista do segundo lugar, nunca se revelou tão enganadora.
Ao invés, o que este campeonato veio evidenciar, é que, no reinado da Proençocracia, os resultados são crescentemente marcados pelos desempenhos arbitrais. Pela enésima vez na Liga (como na Taça de Portugal), o recente jogo Famalicão-Benfica ofereceu uma centralidade inédita ao árbitro, posicionando-o como o grande poder na competição. A atuação de Gustavo Correia, já bem conhecido na Luz pela sua infeliz arbitragem do Benfica-Casa Pia, veio alterar o sentido do jogo e, consequentemente, a definição de um resultado, produzindo um caos arbitral cujos erros estão detalhadamente descritos, por exemplo, na análise de Pedro Henriques no jornal A Bola. Nesta festa que o árbitro ofereceu a si próprio, erguendo-se como o protagonista do jogo, Gustavo Correia, com todos os seus erros pelo que não viu ou ao invés supôs ter visto, permitiu-se derrubar a hierarquia natural do jogo e, indiretamente, interferir na classificação que estabelece o acesso à Liga dos Campeões na próxima época, com as importantes consequências desportivas e financeiras que são conhecidas. O absurdo a superar a verdade do jogo.
Mas o insólito protagonismo de quem não conhece ou não compreende as regras, de quem não se sabe que ambiente o molda e condiciona, transforma o jogo, secundariza as suas personagens no campo e desorienta o espectador. É o mundo do futebol ao contrário.
Quem se esconde por detrás da espiral de erros ocorrida esta época? O que é que se oculta por detrás desta cadeia de equívocos, em que os desacertos de hoje eclipsam os de ontem, tal a frequência e a relevância dos mesmos?
Mourinho foi claro quando disse que "vamos tentar
o milagre de ficar em segundo lugar à frente do SCP". Não sabemos se casos
escandalosos como Negreira em Espanha e Gianluca Rocchi em Itália, beneficiando
respectivamente o Barça e o Inter de Milão, virão também a emergir em Portugal.
Podemos sim constatar, que os dirigentes do futebol nacional não parecem
preocupados nem embaraçados pelo cataclismo arbitral em 2025/26.
Com precisão cirúrgica, João Gabriel, avaliou a situação dizendo: " As arbitragens não foram azar nem coincidência. Foram consequência."
Na era do desatino, a debilidade desportiva e institucional do Benfica são simultaneamente um sintoma e um acelerador desta época de despropósitos.
Quando se observa a atual fraqueza institucional do Benfica, a sua solidão no processo da centralização dos direitos televisivos, a erosão na política de alianças com outros clubes e a falta de dinâmica na criação de novas relações institucionais modernas que alavanquem o clube, sente-se, e muito, a falta de uma liderança forte, experiente e competente na SAD, como foi a de Domingos Soares de Oliveira.
Não são só os golos dentro de campo que dão vitórias e campeonatos.
Nuno Paiva Brandão (Sócio nº 50.166)